CADERNO B

Anne Carson ganha Nobel de Literatura de 2026

A poeta e escritora canadense foi reconhecida pela Academia Sueca por uma obra inventiva, marcada pelo diálogo com a tradição clássica e pela criação de novas formas literárias

Por CADERNO B
[email protected]

Publicado em 08/10/2026 às 08:51

Alterado em 08/10/2026 às 08:51

A escritora e poeta Anne Carson Foto: revista Piparote

A poeta e escritora canadense Anne Carson foi anunciada como vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026. A Academia Sueca afirmou que a escolha se deve à sua obra ousada e inventiva, marcada por um diálogo lúdico com a tradição clássica e pela criação de novas formas para a literatura contemporânea.

Uma obra que mistura gêneros e referências clássicas

Carson é conhecida por combinar verso, prosa, diálogo e tradução em trabalhos que desafiam classificações tradicionais. Nascida em Toronto, ela também tem cidadania islandesa desde 2022 e construiu uma carreira muito influenciada pela literatura grega clássica.

Seu repertório vai de libretos de ópera a crítica literária e romances em verso, como Autobiografia de Red, de 1998. A Academia destacou que quase toda a sua produção gira em torno da relação entre a obsessão da filóloga pelas palavras e o desejo da poeta por novos significados.

Reconhecimento, surpresa e influência literária

Segundo Ingrid Carlberg, secretária permanente da Academia Sueca, Carson ficou muito surpresa com a notícia e estava na Islândia no momento do anúncio. A escritora, segundo a própria Academia, disse que estava ouvindo o vento quando foi informada do prêmio.

Entre seus trabalhos mais lembrados está Norma Jeane Baker of Troy, de 2019, performance que aproxima a história de Helena de Troia, na peça Helena, de Eurípedes, da figura de Marilyn Monroe. A Academia também ressaltou que suas traduções do grego clássico podem ser consideradas obras independentes.

Favoritismo e debate em torno do Nobel

Carson, de 76 anos, aparecia entre as favoritas, segundo casas de apostas, e entra para a lista de vencedores ao lado de nomes como Alexander Solzhenitsyn, Alice Munro e Ernest Hemingway. O prêmio costuma dividir opiniões entre leitores e críticos, em parte pelas escolhas consideradas inesperadas ao longo da história.

O Nobel de Literatura, concedido desde 1901, já foi alvo de críticas por deixar de fora autores como Tolstói, Virginia Woolf e Jorge Luis Borges. Ainda assim, defensores da Academia afirmam que a premiação também cumpre o papel de valorizar tradições menos conhecidas e ampliar o horizonte dos leitores.

No ano anterior, o vencedor foi o húngaro László Krasznahorkai. O prêmio integra o conjunto de distinções criadas a partir do testamento de Alfred Nobel e segue entre os mais prestigiados da literatura mundial. (reportagem ampliada com informações da agência Reuteres_

%MCEPASTEBIN%

Deixe seu comentário