CADERNO B

Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz lançam 'Escreviventes' na Flip

Publicação é fruto de conversa entre as duas autoras brasileiras

Por CADERNO B
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Publicado em 30/07/2026 às 19:40

Alterado em 30/07/2026 às 19:40

Conceição Evaristo Divulgação

"Escreviventes" nasceu de uma conversa entre Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, gravada ao longo de dois dias na Kaza 123, quilombo urbano localizado em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. O diálogo, que ganhou forma de livro pela Pallas Editora, foi lançado durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, em meio a eventos lotados e grande atenção do público.

A obra reúne reflexões sobre literatura, memória, racismo, maternidade, envelhecimento e amizade. Ao longo da conversa, as autoras mostram como a experiência vivida atravessa a escrita e como a literatura também pode funcionar como espaço de preservação de histórias, afetos e identidades.

Escrevivência, memória e criação

Conceição Evaristo retomou o conceito de escrevivência, presente em sua trajetória literária, para explicar que escrever não é apenas registrar lembranças ou fatos autobiográficos. Para ela, a escrita envolve criação e ficcionalização, a partir do conhecimento da realidade e da vivência do mundo.

Na Casa Estante Virtual, durante a Flip, a autora destacou que a literatura permite até mesmo ficcionalizar memórias que não foram vividas diretamente. Ao citar Pepetela e relacionar a ideia a obras como Um Defeito de Cor, Conceição reforçou que a ficção também nasce do contato profundo com a realidade e com as experiências coletivas negras.

Valor da memória negra na literatura

Conceição afirmou que o livro e o documentário que o acompanha vão compor a história da literatura brasileira, registrando o percurso de duas escritoras negras. Ela lembrou que a tradição literária do país é devedora das mulheres escritoras e, principalmente, dos autores negros, homens e mulheres.

Eliana Alves Cruz reforçou a importância de produzir registros sobre essas trajetórias, citando a carência de materiais sobre nomes como Lélia Gonzalez. Para ela, celebrar a existência dessas personalidades não basta: é preciso deixar documentação, memória e fontes que permitam que suas histórias permaneçam acessíveis.

Do livro ao audiovisual

Escreviventes inaugura a coleção Memórias Brasileiras e também antecipa um documentário homônimo dirigido por Estevão Ribeiro, com previsão de estreia em festivais em 2027. O projeto amplia o alcance do diálogo entre as autoras e leva para outras linguagens o registro de suas reflexões sobre literatura e identidade.

Ao mesmo tempo, Eliana Alves Cruz lamentou as dificuldades para transformar projetos ligados à história e à memória negra em obras audiovisuais no Brasil. Ela criticou o cenário ainda desigual do setor e observou que a democratização da literatura avançou mais rapidamente com o apoio da tecnologia, enquanto o audiovisual ainda impõe barreiras importantes. (com informações da Agência Brasil)

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