CADERNO B
Lula decreta luto por Luiz Carlos Barreto, Ãcone do cinema nacional
Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
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Publicado em 22/07/2026 Ã s 14:30
Alterado em 22/07/2026 Ã s 14:30
Luiz Carlos Barreto Foto: José Peres/JB
Luiz Carlos Barreto, o icônico produtor e cineasta brasileiro, faleceu nesta quarta-feira (22) aos 98 anos, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias em sua homenagem. Fotógrafo de origem, o cearense de Sobral, mais conhecido como Barretão, é amplamente reconhecido por sua contribuição monumental ao cinema nacional, participando de mais de 100 obras como codiretor produtor, e sendo um dos pilares do movimento Cinema Novo nas décadas de 60 e 70.
Em sua declaração, Lula ressaltou: “O cinema brasileiro deve muito a Luiz Carlos Barreto”, considerando-o o mais importante produtor do setor nos últimos 50 anos. O presidente destacou que Barreto foi fundamental na revelação de talentos e no apoio a produções icônicas.
Luiz Carlos Barreto, em companhia da mulher, Lucy Barreto, com quem compartilhava a produtora de cinema LC Barreto, foi responsável por algumas das obras mais icônicas e populares do cinema brasileiro, como “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, “Vidas Secas”, obra de Graciliano Ramos, adaptada por Nelson Pereira dos Santos, em 1963.
A valorização das obras dos escritores brasileiros teve apoio de Barretão que produziu “Dona Flor e seus Dois Maridos”, escrito por Jorge Amado, um recorde de público, “Asyllo Muito Louco”, outra adaptação de Nelson Pereira dos Santos sobre “O Alienista”, de Machado de Assis.
Alguns dos seus maiores sucessos na retomada do cinema brasileiro foram “O Quatrilho” e 'O Que É Isso, Companheiro?', ambos associados a seu nome, assim como “Bye, Bye Brasil” de Arnaldo Jabor.
Peladeiro emérito, um dos fundadores do 30 X 30, campo de futebol soçaite em São Conrado, coube ainda a Barretão homenagear os dois maiores ícones do futebol Brasil. Em 1962, ano em que Mané Garrincha praticamente conquistou o bicampeonato do Brasil na Copa do Mundo do Chile (Pelé se machucou no começo do segundo jogo), produziu “Garrincha, a Alegria do Povo”, de Joaquim Pedro de Andrade; em 1974, quando Pelé desistiu de vestir a amarelinha da seleção, produziu com Eduardo Escorel o documentário “Isto é Pelé”, sobre a trajetória do maior jogador de todos os tempos.
Barretão faleceu no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde estava internado devido a uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. Ele deixa uma rica herança na história do audiovisual brasileiro, sendo casado há 71 anos com a produtora Lucy Barreto, além de filhos e netos.
O velório do cineasta será realizado no Palácio da Cidade, em Botafogo, nesta quinta-feira (23).