CADERNO B
Morre Peppino di Capri, ícone da música italiana, aos 86 anos
Por CADERNO B
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Publicado em 11/07/2026 às 08:39
Alterado em 11/07/2026 às 09:41
Peppino di Capri deixou três filhos Foto: Ansa
O cantor e compositor italiano Peppino di Capri, considerado um dos artistas mais famosos da Itália e intérprete de sucessos como "Roberta" e "Champagne", morreu na manhã deste sábado (11), em sua amada ilha de Capri, após enfrentar uma longa doença.
A informação foi confirmada à agência de notícias Ansa pela família, que também anunciou que o funeral será realizado neste domingo (12), às 17h (horário local), na Igreja de Santo Stefano, localizada a poucos passos da famosa Piazzetta de Capri.
Peppino deixa os filhos Arrigo, conhecido como Igor, fruto de seu primeiro casamento com Roberta, além de Edoardo e Dario, do casamento com Giuliana Gagliardi.
Nascido em Capri, em 27 de julho de 1939, como Giuseppe Faiella, o renomado intérprete da música italiana completaria 87 anos ainda neste mês.
Peppino demonstrou talento musical desde muito cedo. Filho de uma família de músicos, começou a tocar piano ainda criança e, aos quatro anos, já se apresentava para soldados americanos na ilha. Seu primeiro grande sucesso veio em 1958, com "Malatia", que o transformou em uma estrela da música italiana ao lado da banda Rockers.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Peppino tornou-se um dos maiores intérpretes da música italiana. Foi responsável por sucessos eternizados como "Champagne", "Roberta", "E mo e mo", "Let's Twist Again", "St. Tropez Twist", "Nessuno al Mondo", "Voce", "Amare di Meno" e "Il sognatore", canções que atravessaram gerações e permanecem populares até hoje.
Sua trajetória também foi marcada por uma forte ligação com o Festival de Sanremo. Recordista de participações, esteve em 15 edições do evento e conquistou o primeiro lugar duas vezes: em 1973, com "Un Grande Amore e Niente Più", e em 1976, com "Non Lo Faccia Più". Em 1970, também venceu o último Festival da Canção Napolitana com "Me Chiamme Ammore".
Na década de 1960, Peppino viveu o auge da carreira e protagonizou um feito histórico ao dividir o palco com os Beatles durante a turnê italiana da banda britânica, em 1965.
Sua mistura de rock, twist e tradição napolitana ajudou a renovar a música italiana, tornando-a moderna e conquistando público dentro e fora do país.
Em 2018, celebrou seus 60 anos de carreira no palco do Teatro di San Carlo. Já em 2023, recebeu o Prêmio de Carreira durante o Festival de Sanremo, em homenagem conduzida pelo diretor artístico e apresentador Amadeus. Dois anos depois, a Rai lançou a cinebiografia "Champagne", dirigida por Cinzia TH Torrini e estrelada por Francesco Del Gaudio, consolidando sua trajetória como uma das mais importantes da música italiana.
A morte de sua esposa, Giuliana, às vésperas de seu 80º aniversário, em 2019, marcou profundamente seus últimos anos. Ainda assim, o cantor continuou sendo reverenciado pelo público.
Sua última aparição pública aconteceu há cerca de um ano, durante uma noite em sua homenagem, quando foi ovacionado de pé e emocionou os presentes ao subir ao palco para cantar "Champagne" e "Il sognatore", acompanhado pela banda Capri Rockers, liderada por seu filho Edoardo.
Ilha de Capri decreta luto: 'Nosso embaixador no mundo'
A Prefeitura da ilha de Capri, no sul da Itália, decretou luto oficial no município para o próximo domingo (12), quando será realizado o funeral do cantor Peppino di Capri.
O artista morreu neste sábado (11), aos 86 anos.
Em nota, o chefe do Executivo municipal, Paolo Falco, prestou homenagem ao cantor, destacando sua importância para a ilha e para a música italiana.
"Hoje, com o falecimento de Peppino di Capri, a ilha perde um de seus filhos mais ilustres e queridos.
É uma perda imensa não apenas para Capri, mas para todo o cenário da música italiana.
A ilha — com a qual ele nunca perdeu o vínculo — era o seu lar, a sua inspiração e o lugar ao qual permaneceu profundamente ligado ao longo de sua vida", afirmou Falco.
O prefeito ressaltou que o artista levou o nome de Capri aos quatro cantos do mundo por meio de sua música. "Suas canções, sua elegância e seu talento tornaram o nome de Capri conhecido mundialmente; ele se tornou um embaixador de sua identidade, de sua cultura e de sua alma mais autêntica", declarou.
Falco também definiu Peppino como "o ícone musical de uma era" e um dos principais representantes da ilha e da Itália no exterior.
Segundo ele, a trajetória do cantor, iniciada ainda na infância, na Capri do pós-guerra, tornou-se motivo de orgulho para toda a comunidade local.
Ao encerrar a homenagem, o prefeito expressou condolências à família em nome da administração municipal e dos moradores da ilha. Em um relato pessoal, recordou a ligação entre sua família e o músico, lembrando que sua avó paterna, Elisabeth Rüdorf, foi professora de piano de Peppino.
Falco também destacou ter tido a honra de entregar ao artista as chaves da cidade durante a pré-estreia do filme "Champagne". (com agência Ansa)