CADERNO B
'Dossiê Nora Ney: Uma voz poética e política, 100 anos' será lançado nesse sábado
Por CADERNO B
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Publicado em 23/04/2026 às 20:38
Alterado em 23/04/2026 às 20:43
.Nora Ney Foto: divulgação
Muito mais do que a voz grave e elegante que eternizou canções melancólicas na Era de Ouro do rádio como “Ninguém me ama” (de Antônio Maria e Fernando Lobo), Nora Ney foi uma mulher à frente do seu tempo, que, além de ter conseguido um desquite após escapar de uma tentativa de feminicídio, envolveu-se diretamente com a política partidária e precisou enfrentar a repressão da ditadura militar e o machismo generalizado para se firmar como uma das figuras mais emblemáticas da música popular brasileira.
O livro Dossiê Nora Ney: Uma Voz Poética e Política, 100 Anos, organizado por Raphael Fernandes Lopes Farias, analisa a trajetória da artista para além da música, através de textos que lançam luz sobre aspectos diferentes da sua vida e obra. Editado pela Garota FM Books, o livro será lançado oficialmente no dia 25 de abril em um evento na Pinacoteca de Santos, a partir das 17h.
Violência doméstica, abortos, a experiência no cinema, uma passagem meteórica pelo rock’n’roll, relação com a imprensa e militância política são alguns dos temas dos artigos. Além de Raphael Fernandes Lopes Farias, o projeto conta também com textos assinados pelos autores André Domingues dos Santos, Chris Fuscaldo, Daniel Saraiva, Kamille Viola, Márcia Carvalho, Rita Gottardi van Opstal, Rodrigo Vicente Rodrigues e Yuri Behr.
“Dentre tantos pioneirismos, a politização é o que mais diferencia a trajetória de Nora Ney de suas contemporâneas, daí o título do livro. Ela não teve medo de usar sua atividade profissional como luta concreta por democracia e pela mundialização da cultura brasileira em um tempo em que as mulheres sequer tinham direito a gerir suas próprias vidas. E tudo isso é bastante atual, temos uma forte polarização política em nível mundial, com praticamente os mesmos atores envolvidos. E Nora já estava lá, 70 ano atrás, enxergando a importância do diálogo com a Rússia e com a China através da música”, destaca Raphael Fernandes Lopes Farias.