POLÍTICA

Lula adota estratégia pragmática diante de provocações de Trump e Milei

Itamaraty recomenda cautela enquanto governo brasileiro acompanha a crise diplomática e o impacto das eleições nos EUA

Por POLÍTICA JB
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Publicado em 30/10/2026 às 08:03

Alterado em 30/10/2026 às 09:04

Lula, o 'general' Janones e Janja no Palácio do Planalto. O deputado, reeleito, está cotado para assumir um posto no alto escalão do novo governo Foto: reprodução de vídeo

O presidente Lula não reagirá às provocações de Donald Trump e Javier Milei no caso da fuga de Flavio Bolsonaro para os EUA, além das falsas acusações de que as eleições foram fraudadas. A orientação, neste sentido, partiu do Itamaraty. A meta é adotar uma postura pragmática diante da escalada política. A avaliação interna é de que um confronto direto com os dois presidentes só ampliaria a crise e daria palco aos adversários.

Segundo auxiliares do presidente, a orientação é deixar o caso seguir no campo judicial e evitar qualquer resposta que possa ser interpretada como participação em um embate internacional. Para diplomatas ouvidos nos bastidores, entrar em bate-boca seria o mesmo que fortalecer a narrativa dos derrotados nas urnas.

Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos agrava a tensão

A crise ganhou novo capítulo com a chegada de Flávio Bolsonaro a Miami, em uma articulação atribuída aos governos argentino e americano. O senador havia sido alvo de decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a entrega dos passaportes e proibiu sua saída do País.

Flávio responde a inquéritos no Supremo Tribunal Federal e ainda mantém foro privilegiado até o fim do mandato, em 2027. A movimentação é vista pelo governo como parte de uma tentativa de politizar a disputa eleitoral e internacionalizar o conflito.

Planalto aguarda impacto das eleições americanas

O Palácio do Planalto também aposta que o trumpismo pode sair enfraquecido das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça-feira. Nesse cenário, a expectativa é de perda de força política do Partido Republicano e de redução da margem de manobra de Trump.

Apesar disso, o resultado das urnas americanas não deve alterar imediatamente o tarifaço imposto aos produtos brasileiros. Por enquanto, a ordem é observar a evolução do quadro externo antes de definir os próximos passos da resposta diplomática.

PT vê interferência estrangeira

A cúpula do PT afirmou que a posição de Trump em relação ao resultado das eleições brasileiras merece atenção. Em resolução aprovada pela Executiva Nacional, o partido disse que o Brasil não aceitará interferência estrangeira em sua democracia.

Para o PT, o movimento de Flávio Bolsonaro de buscar apoio externo representa uma reação autoritária dos derrotados nas urnas. A legenda também entende que a tensão pode atrasar ainda mais decisões sensíveis entre os dois países, inclusive a análise do nome indicado por Trump para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. (reportagem ampliada com informações da Agência Estado)

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