POLÍTICA
Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil à Elytron, alvo de denúncia ao FBI por IA nociva a campanhas
Por POLÍTICA JB
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Publicado em 16/10/2026 às 19:31
Alterado em 16/10/2026 às 19:58
. Imagem: reprodução/Intercept
A campanha de Flávio Bolsonaro e o PL registraram pagamentos à Elytron, empresa de cibersegurança que virou alvo de uma denúncia internacional sobre oferta de tecnologia para manipulação política. De acordo com informações publicadas nesta sexta-feira (16) no Intercept Brasil, os repasses somam R$ 600 mil pela campanha e R$ 131,9 mil pelo partido, enquanto a prestação de contas do candidato também menciona valor maior em fase anterior da campanha.
Os documentos citados indicam que a empresa teria apresentado, fora do Brasil, um sistema baseado em inteligência artificial para coletar dados em grande escala, identificar grupos de eleitores e direcionar ações como desinformação, rumores e criação de contas falsas. A lógica descrita na oferta é a de uma operação clandestina de influência, e não apenas de marketing político ou monitoramento digital.

Imagem: reprodução/Intercept
Como funcionaria o sistema
Segundo a apuração, o material da Elytron descreve a combinação entre big data, redes sociais e IA para mapear públicos, traçar cenários de votação e testar estratégias de comunicação. A proposta incluiria a produção e a distribuição coordenada de conteúdos como imagens, vídeos, memes e deepfakes, além de técnicas de infiltração e guerra psicológica contra adversários.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontaram que esse conjunto de práticas se encaixa na definição de operação de influência, por usar métodos ilegítimos para moldar percepções e comportamentos. A reportagem também destaca que, embora ferramentas de análise de redes sociais sejam comuns em campanhas, o diferencial aqui seria a atuação ativa para manipular a opinião pública.
Reação dos envolvidos
Vincent Edward Reed, ex-consultor da Elytron que entregou os documentos ao Intercept, afirma ter percebido o potencial nocivo do sistema e decidido romper com a empresa por considerar que a tecnologia violaria princípios éticos e legais. Ele diz ter denunciado o caso ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA, sem avanço nas apurações.
Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro negou contratar qualquer serviço que viole a legislação eleitoral e disse que a contratação seguiu procedimentos regulares. A Elytron, por sua vez, afirmou que atua apenas em cibersegurança defensiva, negou oferecer manipulação política ou deepfakes e disse que vai apurar eventuais usos indevidos de seu nome.
Rede internacional e conexões políticas
A investigação também descreve uma rede de relações internacionais envolvendo a Elytron, com conexões em Portugal, nos Emirados Árabes Unidos e no entorno da extrema direita brasileira. Entre os nomes citados estão executivos ligados à empresa, o lutador Renzo Gracie e o empresário Pablo Marçal, além de vínculos com figuras associadas ao xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan.
No plano político, o caso amplia as preocupações com interferência digital em campanhas eleitorais e com o uso de sistemas de IA para segmentar eleitores e atacar adversários. A reportagem sustenta que, se confirmadas, as práticas descritas poderiam violar a legislação brasileira e as regras das próprias plataformas de redes sociais, culminando com o impedimento da candidatura contratante. (com informações do Intercept Brasil)