Alcolumbre cita caso Vorcaro e pressiona debate no Senado: 'Esqueceram que pediram R$130 milhões para um filme'

Presidente do Senado comentou as mensagens divulgadas pela PF e voltou a destacar a tensão política em torno de Alexandre de Moraes

Por POLÍTICA JB

Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mencionou nesta quarta-feira (2) as mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Ao comentar a repercussão, ele disse que recebeu muitas agressões nos últimos dias e afirmou que, agora, a culpa recai apenas sobre o magistrado.

"Recebi muitas agressões nos últimos dias e faço apenas um comentário, todo mundo esqueceu que pediram 130 milhões para fazer um filme, mas só o Moraes é o culpado...", disse Alcolumbre.

Alcolumbre também lembrou que tem em sua mesa 55 pedidos de impeachment contra Moraes. Apesar da pressão política, nenhum deles recebeu encaminhamento até o momento, mesmo após a divulgação de novos elementos ligados à investigação da Polícia Federal.

Mensagens e contrato milionário

Os pedidos mais recentes foram protocolados depois que o Supremo quebrou o sigilo de apurações da Polícia Federal e vieram a público conversas entre Moraes e o ex-banqueiro. Em uma das mensagens, Vorcaro afirma que o contrato com o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro, era o mais importante que ele tinha.

Segundo a PF, em 8 de fevereiro de 2024 Vorcaro pediu ao cunhado, Fabiano Zettel, que enviasse o “contrato barci moraes assinado” e perguntou quando seria feito o primeiro pagamento. No mesmo dia, Angelo Silva encaminhou um comprovante de transferência de R$ 3.422.268,14 do Banco Master para o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, em conta no Itaú. O contrato totalizava R$ 131 milhões.

Conforme mostrou a CNN, Alexandre de Moraes chegou a editar o documento antes da assinatura. Outras mensagens também indicam que Vorcaro teria perguntado ao ministro se precisava deixar o país dois dias antes de sua prisão, quando foi detido ao tentar embarcar em um avião particular para Dubai.

Flávio Bolsonaro e o filme Dark Horse

O caso também envolve Flávio Bolsonaro. Diálogos divulgados pelo site Intercept Brasil mostram conversas entre o senador e Vorcaro sobre o filme Dark Horse, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. Uma dessas conversas ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes da primeira prisão de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Em outro áudio, datado de 8 de setembro do ano passado, Flávio teria mencionado preocupação com atraso nos pagamentos da produção. Em nota, quando os diálogos vieram a público, o senador afirmou que se tratava de um “filho procurando patrocínio”.

Segundo as informações divulgadas, Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme após pedido do então pré-candidato à Presidência. A intermediação teria sido feita pelo publicitário Thiago Miranda.

Documentos não entregues

Quando o caso ganhou repercussão, Flávio Bolsonaro prometeu apresentar dados sobre a produção do filme. No entanto, voltou atrás e não entregou contrato, planilhas nem outros documentos que detalhariam a aplicação dos recursos. A ausência dessas informações mantém abertas as dúvidas sobre o destino do dinheiro e o grau de envolvimento dos personagens citados nas investigações.