POLÍTICA

Especialistas veem risco de ações ocultas e de manipulação cibernética nas eleições no Brasil em meio à escalada de pressão do governo Trump

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Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 18/08/2026 às 16:09

Alterado em 18/08/2026 às 16:09

. Foto: Pixabay

Especialistas em relações internacionais, geopolítica e tecnologia de informação avaliam que o Brasil pode enfrentar novas ações cibernéticas dos Estados Unidos durante o período eleitoral. O temor aumenta com a escalada de medidas adotadas pelo governo Donald Trump contra o país, que inclui tarifaço, cancelamento de vistos de autoridades brasileiras e sinais de maior agressividade diplomática e digital.

Para os analistas ouvidos, esse contexto sugere que a disputa entre os dois países pode sair do campo político tradicional e avançar para operações mais discretas, especialmente na área cibernética. O objetivo, segundo eles, seria influenciar a percepção pública, enfraquecer instituições e criar condições favoráveis a determinados interesses.

Memorando amplia possibilidade de vigilância e ataque digital

O pesquisador Reynaldo Aragon afirma que um memorando assinado por Trump tem caráter inédito e abre espaço para a atuação de big techs em operações de vigilância cibernética e efeitos cibernéticos. Na avaliação dele, o documento permite acesso a sistemas de informação sem autorização do proprietário ou do operador, ou ainda além do acesso originalmente permitido.

Aragon sustenta que os efeitos dessa autorização são graves porque podem incluir espionagem digital, hackeamento de alto nível e produção de relatórios e dossiês sobre perfis específicos. Segundo o especialista, esse tipo de ação poderia favorecer ou prejudicar candidatos sem deixar rastros evidentes de autoria.

Big techs, influência política e sistemas sensíveis

Outro ponto de preocupação é o peso das grandes empresas de tecnologia na engrenagem de poder dos Estados Unidos. Para o professor de história e especialista em geopolítica Euclides Vasconcelos, essas companhias não funcionam apenas como plataformas de debate, mas como estruturas com capacidade de mobilizar grupos sociais, canalizar informações e influenciar recortes demográficos com precisão.

Ele lembra ainda a aproximação entre executivos de big techs e o governo americano como sinal de alinhamento político e estratégico. Em sua leitura, isso reforça a ideia de que essas empresas podem atuar como extensões dos interesses dos EUA, inclusive em áreas sensíveis para outros países, como eleições, infraestrutura digital e comunicação em massa.

Brasil, soberania digital e disputa na América Latina

Os especialistas avaliam que o Brasil entra nesse cenário como peça central da disputa geopolítica dos EUA na América Latina. Vasconcelos afirma que a nova doutrina de segurança americana busca consolidar a predominância de Washington no continente e moldar governos alinhados à sua visão estratégica.

Diante disso, Reynaldo Aragon defende que o Brasil desenvolva infraestrutura digital própria, já que boa parte dos sistemas sensíveis do Estado está concentrada em empresas dos Estados Unidos. Para ele, ações cibernéticas podem ser subterrâneas, difíceis de identificar e com potencial de causar danos sistêmicos e estruturais ao país. (com informações de Lucas Pordeus León, Agência Brasil)