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EUA revogam visto da embaixadora do Brasil em retaliação diplomática

Medida eleva a tensão entre os dois governos e abre nova frente de pressão diplomática sobre Brasília

Por POLÍTICA JB
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Publicado em 04/08/2026 às 19:56

Alterado em 04/08/2026 às 19:57

A embaixadora Maria Luiza Viotti Foto: divulgação

O governo de Donald Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida classificada por autoridades americanas como retaliação às ações recentes do governo brasileiro. Segundo o Departamento de Estado, a decisão foi tomada após a recusa de Brasília em conceder vistos a dois diplomatas dos EUA e pela demora em aprovar o indicado de Trump para a embaixada americana em Brasília.

O Departamento de Estado afirmou que a medida não significa expulsão nem declaração de persona non grata. Ainda assim, o órgão indicou que há outras opções de retaliação diplomática e que, se Viotti deixar o território americano, precisará solicitar um novo visto para retornar às funções oficiais.

Pressão diplomática e possibilidade de reversão

Autoridades americanas afirmaram que a decisão poderia ser revertida rapidamente caso o governo brasileiro adotasse as medidas esperadas por Washington. Entre elas, está a aceitação do nome de Danny Perez, indicado por Trump para comandar a embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Segundo uma fonte citada pela Associated Press, a lógica da Casa Branca é de reciprocidade. A mesma fonte indicou que a medida havia sido adiada em outras ocasiões para dar margem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a mudança de postura brasileira manteve o impasse diplomático.

Troca de acusações entre Brasil e Estados Unidos

A crise se intensificou após o Brasil negar vistos a Riley Barnes, secretário de Estado adjunto para democracia, direitos humanos e trabalho, e a um assessor de alto escalão. O governo americano disse que a visita era de rotina e tinha como objetivo discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão, rejeitando a acusação de que haveria uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.

Do lado brasileiro, a avaliação é de que as ações de Washington têm motivação política e buscam favorecer Flávio Bolsonaro, que será adversário de Lula na eleição. A família Bolsonaro mantém proximidade com o governo Trump, e Flávio e Eduardo Bolsonaro chegaram a se reunir com autoridades americanas em Washington, incluindo o próprio Trump.

Tensão política e comercial amplia o desgaste

Além do atrito diplomático, o governo Trump também adotou medidas comerciais contra o Brasil, incluindo aumento tarifário sobre milhares de exportações brasileiras. A Casa Branca alegou concorrência desleal e falhas no combate ao trabalho forçado, acusações rejeitadas pelo governo Lula, que vê na iniciativa mais uma tentativa de interferência política.

O cenário ocorre em meio a disputas sobre o sistema eleitoral brasileiro, frequentemente criticado por Jair Bolsonaro sem provas, e ao fortalecimento de alianças entre aliados do ex-presidente e integrantes do governo americano. A combinação de pressões políticas, comerciais e diplomáticas elevou o nível de tensão entre os dois países às vésperas do novo ciclo eleitoral no Brasil.

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