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Lula defende Pix após tarifa dos EUA: ‘É público, é de graça e vai continuar assim’

Governo brasileiro reagiu à decisão americana e afirma que não aceitará exigências que violem interesses nacionais

Por POLÍTICA JB
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Publicado em 18/07/2026 às 06:08

Alterado em 18/07/2026 às 08:28

Lula: 'só vou falar sobre tarifaço quando o Trump falar também' Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do Pix nesta sexta-feira, 17, após os Estados Unidos confirmarem a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada um dia antes e veio acompanhada de críticas ao sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, apontado pelo governo americano como prática ilegal de comércio digital.

Nas redes sociais, o perfil de Lula publicou um card com a mensagem de que ninguém vai obrigar o Brasil a mudar o Pix. A legenda reforçou que a soberania nacional não está em negociação e que o sistema continuará público e gratuito.

Governo brasileiro rebate acusação americana

A tarifa foi confirmada depois da conclusão de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA, com base na Seção 301 da lei de comércio americana. O relatório acusa o Banco Central brasileiro de favorecer o Pix em detrimento de outros meios de pagamento.

Na quinta-feira, 16, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ser difícil compreender a posição americana, já que a infraestrutura do Pix é aberta e estimula concorrência. No mesmo dia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como absurdo chamar o sistema de prática desleal.

Negociações incluíram pedidos sobre setores estratégicos

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o governo brasileiro recebeu dos Estados Unidos pleitos negociáveis e também exigências consideradas inaceitáveis. Entre elas, estavam a abertura total do setor químico, a redução a zero das tarifas de bens industriais e o acesso ao mercado automotivo americano.

Elias Rosa disse que o Brasil deixou claro que não aceitaria qualquer acordo capaz de ferir interesses nacionais ou prejudicar o setor produtivo. O vice-presidente Geraldo Alckmin também afirmou que o país cumpre as regras da OMC e destacou que a taxação sobre importação de veículos segue parâmetros conhecidos internacionalmente.

Minerais críticos entram na disputa

Outro ponto de atrito foi o pedido americano para limitar investimentos internos em projetos e empresas ligadas a minerais críticos. De acordo com o ministro, os EUA queriam que o Brasil adotasse restrições semelhantes às firmadas com outros países, como Reino Unido e Austrália.

O governo brasileiro recusou a proposta e afirmou que minerais críticos e terras raras são estratégicos e pertencem ao país. Elias Rosa também disse que as conversas com o embaixador Jamieson Greer foram cordatas, mas sem avanço, e criticou a falta de uniformidade no discurso americano.

Marco Rubio aumenta a pressão política

Na madrugada de quinta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Lula e o governo brasileiro não negociaram de boa-fé, razão pela qual a tarifa de 25% foi confirmada. Rubio ainda disse que as políticas econômicas do presidente brasileiro seriam ruins para americanos e brasileiros.

Apesar da pressão, a resposta do governo brasileiro foi de firmeza. A avaliação em Brasília é que não haverá concessão que represente violação da soberania nacional ou prejuízo ao interesse do país. (com informações da Agência Estado)

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