POLÍTICA
Alckmin: governo anterior queria criar CPMF, enquanto nós fizemos reforma tributária
Por POLÍTICA JB com Agência Estado
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Publicado em 25/04/2026 às 06:05
Alterado em 25/04/2026 às 08:17
O ministro e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por Gabriel Hirabahasi - O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tentou associar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como a gestão que tentou retomar “mais um imposto, a CPMF”. É uma tentativa de rebater as críticas a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelos impostos criados nos últimos anos, a maior parte dele sobre a parcela mais rica da sociedade.
“O governo anterior queria criar mais um imposto, a CPMF, e nós fizemos a reforma tributária, unimos em um IVA dual. A reforma tributária do ministro (Fernando) Haddad, há estudos do Ipea, vai fazer o PIB crescer 12% a mais em 15 anos”, afirmou Alckmin na abertura do 8º congresso do Partido dos Trabalhadores (PT) nesta sexta-feira, 24.
“O governo anterior desonerou jet ski, arma e veleiros, e Lula desonerou quem ganha até R$ 5 mil”, disse.
Alckmin agradeceu aos presentes pela recepção que recebeu. Disse ser recebido nos encontros de petistas “com enorme afeto” e ressaltou sua “lealdade” ao presidente da República.
“Teremos processo eleitoral e primeiro destacar que o presidente Lula salvou a democracia no Brasil. Se perdendo as eleições tentaram dar um golpe, imagina se tivessem ganho. Mário Covas dizia que as pessoas podem ser mais à direita ou mais à esquerda, mas o que as diferencia é o apreço à democracia”, afirmou, citando o ex-governador de São Paulo morto em 2001, de quem foi vice.
Edinho pede que militantes ouçam sentimento antissistema e defende reformas nas instituições
O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, pediu aos militantes petistas que ouçam o sentimento antissistema presente na sociedade e fez um discurso de defesa da reforma nas instituições e no modelo econômico brasileiro. É uma tentativa do presidente do PT de dar um viés antissistema à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Não tenho nenhuma dúvida de que é mais uma vez um momento histórico de o PT saber ouvir o que diz a sociedade. É evidente que tem um ambiente de antissistema no Brasil e no mundo, e nós vamos debater durante esses dias (de congresso do PT), mas é um descontentamento, uma dor que atinge a sociedade mundial e brasileira por causa de uma crise do capitalismo que não é nossa, não foi criada por nós, foi criada por um modelo de financeirização da economia e da incapacidade das lideranças do capitalismo de entenderem o que estava acontecendo a partir da virada do século 20 para 21”, argumentou.
Edinho discursou diante de militantes petistas no 8º congresso do partido, realizado em Brasília. Foi o último a discurso presencialmente – o presidente da República enviou um vídeo que foi apresentado logo após a declaração. Logo que acabou o discurso, o primeiro que cumprimentou foi o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, um dos principais articuladores da proposta de programa de governo do partido.
“Se os trabalhadores dizem que esse sistema não serve e não resolve os problemas, nós temos capacidade de ouvir e de construir caminhos para fazermos as reformas necessárias para que um novo sistema seja construído”, afirmou.
“Se o capitalismo vive uma crise, nós temos de ter a capacidade de dizer que essa crise não é nossa, que não concordamos com ela e qual o nosso modelo de produção de riqueza e de distribuição da riqueza”, completou. O presidente do PT disse que “é hora de ouvirmos e junto com o povo brasileiro construirmos as respostas que eles querem ouvir”.
Edinho também atacou a família Bolsonaro. Disse que o “negacionismo tem nome, o governo liderado pela família Bolsonaro, porque tinha um pai liderando e os filhos operando politicamente nos bastidores ou escancaradamente”. É uma tentativa de associar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à rejeição do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“As lideranças fascistas no Brasil têm nome e sobrenome e temos de dizer isso ao povo brasileiro a todo momento. Temos de comparar o Brasil liderado pelo fascismo com o Brasil liderado pelo presidente Lula e pelo campo democrático”, afirmou.
Edinho associou Flávio e a família Bolsonaro a um “entreguismo” dos minerais críticos, outro ponto que tem ganhado centralidade nos discursos dos petistas nas últimas semanas. O argumento tem como base a defesa da soberania nacional, ponto em que Lula conseguiu surfar no ano passado após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
“Se somos a maior reserva de terras raras do planeta, as terras raras pertencem ao povo brasileiro, e não ao entreguismo da família Bolsonaro, que quer destinar as riquezas ao Trump. Não, elas pertencem ao povo brasileiro, formarão a base de sustentação de um novo modelo tecnológico para o Brasil, de uma nova indústria, de empregos de qualidade para a nossa juventude”, afirmou.
O presidente do PT também defendeu que o partido faça um debate mais enfático sobre política de segurança pública e sobre combate à corrupção. “Temos de debater política de segurança pública, sim, não cooptado à ideologia do fascismo, mas a construção de uma política no nosso campo. Nós sempre defendemos o controle do território por meio do Estado, e não o crime organizado controlando. Onde é que não temos proposta? Nós temos, sim”, questionou, mencionando, em seguida, a Operação Carbono Oculto e o combate ao crime organizado a partir da investigação sobre suas estruturas financeiras.
“Quem pediu investigação contra denúncias do INSS tem nome, quem pediu investigação contra fraudes do Master tem nome, é Luiz Inácio Lula da Silva. Se nós combatemos a corrupção, combatemos o crime organizado e queremos o controle dos territórios, quem tem autoridade para defender a segurança e os interesses da maioria da sociedade? Somos nós”, afirmou.