POLÍTICA
Partido dos Bolsonaros confirma que pediu à Embaixada dos EUA asilo político a Ramagem após detenção pela imigração
Por POLÍTICA JB com Agência Estado
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Publicado em 14/04/2026 às 07:09
Alterado em 14/04/2026 às 08:09
Valdemar Costa Neto é o presidente do PL Foto: José Cruz/Agência Brasil
Por Guilherme Caetano - Parlamentares do PL afirmaram na noite desta segunda-feira, 13, que protocolaram junto à embaixada dos Estados Unidos um pedido de asilo político para o ex-deputado Alexandre Ramagem, detido nesta manhã pela polícia de imigração americana.
Ramagem foi abordado pela polícia na Flórida por causa de uma infração de trânsito e, como estava com o visto vencido desde o começo de março, encaminhado ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos).
A detenção de Ramagem pode resultar em deportação por questões migratórias ou no avanço do processo de extradição solicitado pelo Brasil, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão.
Em entrevista, os deputados disseram que Ramagem não voltou ao Brasil após o vencimento do visto por se tratar de um “perseguido político” no País.
“Quem não tem o green card (cartão de residência permanente), o visto vale só seis meses. E o visto estava válido até o começo de março. Ele não voltou ao Brasil porque é um perseguido político”, declarou o deputado Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição.
No documento enviado pelo senador Jorge Seif (PL-SC) à Embaixada dos Estados Unidos e obtido pelo Estadão, o parlamentar afirma que o caso de Ramagem envolve riscos à segurança jurídica e levanta questões sobre perseguição política.
O partido entrou em outras frentes para tentar ajudar o correligionário: um pedido para que o Supremo Tribunal Federal (STF) anule a decisão que levou à cassação do mandato de Ramagem como deputado federal; outro direcionado ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), para interceder na causa; e um requerimento ao Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre o que o governo Lula está fazendo em relação ao caso.
Aliado de Ramagem, o influenciador Paulo Figueiredo, que também vive nos Estados Unidos, afirma que o aliado foi detido apenas por uma infração de trânsito e que está prestando assistência para que ele não seja deportado. Figueiredo disse que Ramagem tem um pedido de asilo pendente nos EUA e, por isso, estaria em condição legal no país.
Silva e Seif criticaram, durante a coletiva, o que chamam de perseguição contra opositores por parte do Supremo. Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro, Ramagem perdeu o mandato em razão de condenação na Corte por participação na tentativa de golpe de Estado.
Condenado no núcleo central da trama golpista, ele foi sentenciado a 16 anos e um mês de reclusão. Proibido de deixar o País, ele descumpriu a determinação judicial e fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos, onde está até hoje.