POLÍTICA
Quaest: Lula reduz em 6 pontos sua reprovação entre evangélicos
Por POLÍTICA JB com Revista Fórum
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Publicado em 11/02/2026 às 16:06
Alterado em 11/02/2026 às 20:48
Presidente Lula Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por Henrique Rodrigues - A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) aponta um movimento importante na relação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o eleitorado evangélico. O levantamento mostra que o estadista conseguiu reduzir sua desaprovação no segmento em seis pontos percentuais líquidos (considerando a queda na rejeição e a alta na aprovação), em comparação ao mês anterior.
De acordo com os dados colhidos em fevereiro de 2026, a desaprovação de Lula entre os evangélicos caiu de 64% para 61%. No caminho inverso, a aprovação do trabalho do presidente subiu de 31% para 34%. O grupo dos que não sabem ou não responderam (NS/NR) manteve-se estável em 5%.
O cenário de resistência e os avanços
Embora os números indiquem uma trajetória de melhora, o cenário ainda é de franca oposição. O “abismo” mencionado por analistas políticos reflete a forte cooptação deste segmento religioso pelo bolsonarismo nos últimos anos, que estabeleceu barreiras ideológicas e de valores que o atual governo ainda luta para transpor.
Entretanto, a estratégia de aproximação direta, com agendas focadas em entregas sociais e diálogos com lideranças moderadas, parece estar surtindo efeito. A redução da resistência sugere que o governo começa a ser avaliado também por aspectos econômicos e práticos, e não apenas pelos filtros do embate pelo viés da crença.
Peso do segmento no Brasil
O eleitorado evangélico é um dos pilares decisivos da demografia brasileira atual. Dados recentes do IBGE (Censo 2022) indicam que os evangélicos já representam 26,9% da população brasileira, um contingente de aproximadamente 50 milhões de pessoas.
Algumas projeções de institutos como o Datafolha e estudos demográficos sugerem que, em 2026, essa proporção pode chegar a 35%, o que torna a redução da rejeição nesse grupo uma questão de sobrevivência política para qualquer projeto de reeleição.
Resultados
No cenário testado entre Lula e Flavio Bolsonaro, Lula aparece com 43% das intenções de voto, contra 38% de Flávio. Em comparação com o levantamento de janeiro, o cenário teve pouca alteração estrutural, mas confirma uma tendência de aproximação: na última pesquisa, a diferença era de sete pontos (45% a 38%). Enquanto o senador manteve seu patamar, Lula oscilou dois pontos para baixo, no limite da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Desempenho dos governadores
Além do embate direto com o clã Bolsonaro, a Quaest testou a força de nomes do PSD e do PSDB que buscam se viabilizar como alternativas de centro-direita. Entre eles, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), é quem apresenta o melhor desempenho, aparecendo com 35% contra 43% de Lula — uma diferença de oito pontos, ligeiramente maior que a de Flávio.
Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, agora no PSD, aparece com 32% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Lula registra 42%. A distância de dez pontos coloca Caiado em uma posição intermediária na disputa pela preferência do eleitorado opositor.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), é o que apresenta a maior distância entre os nomes destacados. No confronto direto com o atual presidente, Leite marca 28% contra 42% de Lula, uma desvantagem de 14 pontos percentuais. No caso de Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, Lula venceria por 43% a 32%.
Consolidação da oposição
Os números reforçam que, apesar da estabilidade geral no quadro eleitoral, a polarização entre Lula e a família Bolsonaro segue como o eixo central da política nacional. Com a ausência de outros nomes da direita tradicional no topo das simulações, Flávio Bolsonaro consolida-se, no momento, como o principal herdeiro do capital político do pai e o adversário mais competitivo contra o atual governo.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 5 e 9 de fevereiro, em todo o Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.