POLÍTICA
Ministério da Igualdade Racial exonera assessora que atacou são-paulinos
Por Gabriel Mansur
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Publicado em 26/09/2023 às 20:01
Alterado em 26/09/2023 às 20:01
Anielle assina protocolo contra o racismo Foto: Divulgação/MIR
O Ministério da Igualdade Racial comunicou, nesta terça-feira (26), a exoneração de Marcelle Decothé da Silva, assessora da pasta que usou as redes sociais para ofender a torcida do São Paulo durante a final contra o Flamengo pela Copa do Brasil. A funcionária se referiu aos torcedores do Tricolor como “torcida branca, que não canta, descendente de europeu safade”. Ainda criticou a diretoria do Flamengo e a Polícia Federal.
Marcelle Decothé ocupava o cargo de chefe da assessoria do ministério e acompanhava oficialmente a ministra Anielle Franco, que estava presente para lançar uma ação contra o racismo durante a partida. Ambas viajaram em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), alegando se tratar de um evento oficial.
Em nota, a pasta informou que exonerou a funcionária para "evitar que atitudes não alinhadas a esse propósito interfiram no cumprimento de nossa missão institucional". O comunicado de exoneração diz ainda que as manifestações públicas da servidora em suas redes estão "em evidente desacordo com as políticas e objetivos do MIR".
“De acordo com esses princípios, e para evitar que atitudes não alinhadas a esse propósito interfiram no cumprimento de nossa missão institucional, informamos que Marcelle Decothé da Silva foi exonerada do cargo de Chefe da Assessoria Especial deste Ministério na data de hoje. As manifestações públicas da servidora em suas redes estão em evidente desacordo com as políticas e objetivos do MIR”, diz a nota.
A pasta também declarou que um Comitê de Integridade, Transparência, Ética e Responsabilização foi instalado para debate e deliberação de “questões disciplinares” e de “integridade pública”. O novo órgão “vai investigar o caso e atuar para prevenir ocorrências que contrariem os princípios norteadores da missão do Ministério”.
"O Ministério da Igualdade Racial declara que recebeu a informação a respeito da postagem das servidoras em perfil privado de rede social e que, ainda que as postagens tenham sido feitas em momento de descontração, fora dos ritos institucionais e de tom informal, o caso será submetido às instâncias internas de investigação para apuração da conduta das servidoras".
O comunicado de exoneração diz ainda que as manifestações públicas da servidora em suas redes estão "em evidente desacordo com as políticas e objetivos do MIR".
Relembre o caso
A assessora especial Marcelle Decothé reclamou da "torcida branca" do São Paulo, no Instagram, quando estava na arquibancada do Morumbi para acompanhar a ministra Anielle na assinatura de um protocolo do governo federal contra o racismo no esporte.
Marcelle é torcedora do Flamengo. Primeiro, ela escreveu: "Torcida que não canta, descendente de europeu safade... Pior tudo de pauliste (sic)".
Em outro story, Marcelle faz um gesto obsceno no meio da torcida do São Paulo. Depois, ela segura uma camisa do Flamengo e critica a diretoria: "Independente da diretoria fascista, dos pau no koo (sic) que acha que merece vestir a camisa desse clube, pra sempre Flamengo".
Funcionários do Ministério da Igualdade Racial já tinham alertado o alto escalão da pasta sobre a necessidade de manter a formalidade em agendas oficiais. A apuração é do Estadão.
Críticas pelo uso do avião da FAB
Antes das postagens sobre a torcida do São Paulo, Anielle e suas assessoras já eram atacadas pela extrema-direita por usar o avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ato oficial do governo - houve divulgação do Disque 100 para violações de Direitos Humanos no telão do Morumbi.
Parlamentares da oposição e bolsonaristas acusaram Anielle de usar um avião da FAB com intuito exclusivo de assistir a final da Copa do Brasil. "É só coincidência ela ter ido justo no dia da final sendo ela flamenguista, gente. Ela não pôde ir em momento algum antes disso", afirmou o líder da oposição na Câmara dos Deputados, o deputado Carlos Jordy (PL).
Anielle respondeu às críticas e disse que foi ao Morumbi para combater o racismo. "É inacreditável que uma ministra seja questionada por fazer o seu trabalho de combate ao racismo e cumprir o seu dever".
Em nota, o Ministério da Igualdade Racial informou que "a final da Copa do Brasil foi escolhida para a realização da ação de divulgação pelo alto número de pessoas presentes no estádio e pela grande audiência, típica de uma final de campeonato, independente de quais clubes a disputassem".
Disse ainda que "o voo da FAB foi utilizado para uma missão institucional, como é praxe em deslocamentos para ações ministeriais e de governo e como uma medida de economia de gastos públicos para locomover as equipes".
O Ministério da Igualdade Racial reafirma seu compromisso inegociável com a promoção de direitos e com a igualdade étnico-racial, a partir de princípios como a transparência e o cuidado. pic.twitter.com/KzPjOZOjJ2
— Ministério da Igualdade Racial ???????? (@igualracial_gov) September 26, 2023
O uso de avião da FAB é regulamentado por um decreto presidencial e prevê uma ordem de prioridade: primeiro, em casos de emergências médicas; segundo, quando há razões de segurança; por fim, viagens a serviço.