POLÍTICA
Bolsonaro paga multa milionária à Justiça de SP após Tarcísio propor anistia
Por Gabriel Mansur
[email protected]
Publicado em 16/08/2023 às 21:33
Alterado em 16/08/2023 às 22:05
Tarcísio Gomes de Freitas Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nesta quarta-feira (16), pela manhã, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) enviou à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) um projeto de lei propondo o perdão das multas aplicadas pela Justiça do Estado por descumprimentos de regras impostas durante a pandemia da Covid-19. Se aprovado pelos deputados, o projeto beneficiaria, por exemplo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do governador, e que tinha R$ 1.079.703,90 em dívida ativa por não usar máscara em diferentes ocasiões, segundo site da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Se o objetivo de Tarcísio era anistiar seu ex-patrão e, ao mesmo tempo, buscar uma reaproximação após divergências públicas por conta do novo arcabouço fiscal, pode-se dizer que o 'tiro saiu pela culatra'. Afinal, o presidente se antecipou à Alesp e fez um depósito em juízo de R$ 913 mil, já na noite desta quarta, após a iniciativa de Tarcísio.
Agora, caso a proposta seja aprovada no Legislativo, o governo paulista pode perdoar quase R$ 72 milhões em dívidas, segundo dados fornecidos pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD). Autoridades paulistas aplicaram ao todo 10.790 autuações contra estabelecimentos e festas clandestinas, e 579 contra pessoas físicas.
Em relação a Bolsonaro, ele foi aconselhado a colocar um ponto final no episódio das multas, já que recebeu mais de R$ 17 milhões de seus apoiadores justamente para encerrar os débitos. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que ele recebeu a fortuna por meio de transações de Pix, entre 1º de janeiro e 4 de julho deste ano.
O documento diz que os valores são "atípicos" e se referem "provavelmente" à campanha de arrecadação feita por Bolsonaro para pagar as multas que recebeu durante o seu governo, como a de circular na rua sem máscaras durante a pandemia de Covid-19.