POLÍTICA

Mais um advogado abandona a defesa do tenente-coronel Mauro Cid

Preso desde maio, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro está arrolado em várias investigações da PF, a última sobre um esquema de desvio de presentes

Por Gabriel Mansur
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Publicado em 13/08/2023 às 13:27

Alterado em 13/08/2023 às 13:27

Bernardo Fenelon Foto: Reprodução/Instagram

A situação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro que está preso desde maio, se complicou ainda mais: o advogado Bernardo Fenelon, que assumiu a defesa do militar após sua prisão, resolveu abandonar o caso.

Segundo informações do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a versão oficial é que Fenelon resolveu sair "por foro íntimo", e sua decisão teria sido comunicada ao militar na terça-feira passada (8), ou seja, antes da divulgação do novo relatório da Polícia Federal que detalhou um esquema de desvios de presentes dados por chefes para o patrimônio pessoal do ex-presidente.

Fenelon assumiu a defesa de Cid, junto do advogado Bruno Buonicore, em substituição a banca liderada por Rodrigo Roca, que renunciou ao posto de advogado de Cid no dia 11 de maio. Ele alegou razões de foro pessoal e impedimentos familiares. Roca era nome próximo ao clã de Bolsonaro.

Fenelon também passou a defender o pai do militar, general Mauro Lourena Cid, investigado por participar da organização criminosa criada na gestão Bolsonaro para a venda de presentes recebidos por delegações estrangeiras.

O advogado é conhecido nacionalmente como especialista em colaborações premiadas, o que gerou receio entre aliados bolsonaristas de que Cid e seu pai jogariam todos os crimes que cometeram supostamente a pedido de Bolsonaro no ventilador.

A possível delação do ex-ajudante de ordens com a Polícia Federal e o Ministério Público chegou a ser cogitada por fontes próximas, mas tanto ele quanto o general se mantiveram fiéis ao ex-presidente - pelo menos até agora.

Em suas redes sociais, Fenelon se apresenta como um crítico das pautas conservadoras defendidas por Bolsonaro e sua trupe. Em publicações no Twitter, em 2021, ele condenou a invasão ao Capitólio, feita por apoiadores radicais de Donald Trump, que considerou como "fascista", "antidemocrática e truculenta".

Também compartilhou uma publicação de Cristovam Buarque sobre o ex-guru bolsonarista Olavo de Carvalho: "A maior prova do fracasso educacional e intelectual de nosso país é ter um boquirroto pornográfico despreparado como nosso filósofo de maior destaque".

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