POLÍTICA

Lula defende o fechamento de clubes de tiro particulares no país

Presidente afirmou que apenas organizações policiais deveriam ter locais para a prática de tiros

Por Gabriel Mansur
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Publicado em 25/07/2023 às 19:33

Alterado em 25/07/2023 às 19:33

Marcos Uchôa e Lula Foto: TV Brasil Gov

O novo decreto de armas assinado pelo presidente Lula (PT) na sexta-feira passada (21) determina o fechamento de clubes de tiro a menos de um quilômetro de escolas e o veto ao funcionamento 24 horas. Mas, segundo o petista, essas medidas retratam apenas o primeiro passo de uma política desarmamentista que ele pretende implementar durante seu terceiro mandato.

Durante o programa semanal Conversa com o Presidente, conduzido pelo jornalista Marcos Uchôa e transmitido pelo Canal Gov, Lula afirmou, nesta terça-feira (25), que apenas organizações policiais deveriam ter locais para a prática de tiros e que a política de liberar a compra de armas do governo anterior era para “agradar o crime organizado” e “gente que tem dinheiro". Em combate a violência armada, ele pediu ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, para fechar "quase todos" os clubes de tiro do país.

"Tem uma meia dúzia de pessoas que querem [abrir clubes de tiro], não vamos abrir. Eu, sinceramente, não acho que o empresário que tem um lugar de praticar tiro é um empresário. E já disse para o Flávio Dino, nós temos que fechar quase todos, só deixar aberto aqueles que são da Polícia Militar e do Exército ou da Polícia Civil. É organização policial que tem que ter lugar para atirar, para treinar tiro, não é a sociedade brasileira, nós não estamos preparando uma revolução", disse Lula.

A fala ocorreu dias depois de Lula assinar um decreto que aumentou o controle sobre a venda de armas, restringiu a posse e o porte de armamentos de uso restrito e transferiu do Exército para a Polícia Federal a fiscalização sobre os armamentos nas mãos de civis no país. Um dos argumentos usados pelo governo para as restrições é que boa parte dessas armas estaria sendo desviada para o crime organizado.

"Tinha uma confusão, se pode liberar arma, CAcs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores). Eu acho que temos que ter claro o seguinte: por que cidadão quer pistola 9 mm? Por que ele quer? O que vai fazer com essa arma? Vai fazer coleção? Vai brincar de dar tiro? Esse decreto de liberação de armas que o presidente anterior fez era para agradar o crime organizado. Quem consegue comprar é o crime organizado e gente que tem dinheiro. Pobre não está conseguindo comprar comida. Então como é que as pessoas que trabalham vão comprar fuzil, rifle, pistola?", completou.

A principal mudança para o controle de armamentos foi a redução de armas e munições acessíveis a civis, incluindo CACs registrados. Também restabelece a distinção entre as armas de uso dos órgãos de segurança e as armas acessíveis a cidadãos comuns. Não é mais permitido que caçadores, atiradores e colecionadores transitem com armas municiadas.

Segundo o Instituto Sou da Paz, com base em dados da Lei de Acesso à Informação, o número de armas particulares em circulação no país subiu de 1,320 milhão para 2,965 milhões entre 2018 e 2022, último ano da gestão Bolsonaro. Entre os CACs, a cifra subiu de 350 mil para 1,261 milhão no período.

 

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