POLÍTICA

Bolsonaro diz à PF que reunião com Do Val 'pode ter sido' para tratar mudança de partido do senador

Ex-presidente negou que tenha discutido um plano para gravar Alexandre Moraes ilegalmente

Por Gabriel Mansur
[email protected]

Publicado em 12/07/2023 às 18:57

Alterado em 17/07/2023 às 13:30

Jair Bolsonaro Valter Campanato/Agência Brasil

o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento à Polícia Federal, nesta quarta-feira (12), no âmbito do inquérito que investiga uma tentativa de golpe de Estado que teria sido articulada pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES). O caso foi aberto em fevereiro pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Na oitiva, que durou cerca de duas horas, o ex-chefe do Executivo confirmou que se encontrou com Do Val e Daniel Silveira (PTB-RJ) no Palácio da Alvorada, em dezembro, mas negou que tenha discutido um plano com os parlamentares para gravar Moraes ilegalmente.

Ele disse que "nada foi falado" sobre o ministro do Supremo ou sobre prática de algum ato antidemocrático. E que também não trataram sobre equipamentos de escuta ou gravação.

"O motivo do depoimento de hoje é uma reunião que eu estive, sim. Marcos do Val e Daniel Silveira no dia 8 de dezembro do ano passado. O que foi tratado? Nada. Nada aconteceu no dia 8 de dezembro. Até porque eu não tinha nenhum vínculo com o senhor Marcos do Val. Que eu me lembre, eu nunca tive uma reunião com ele, nunca o recebi em audiência, a não ser talvez em fotografia que é muito comum entre nós", declarou Bolsonaro.

Bolsonaro afirmou que a conversa durou cerca de 20 minutos. Segundo ele, à época, havia um esforço do PL para filiar senadores ao partido. O ex-presidente indicou que o encontro pode ter tratado de uma possível mudança partidária do senador Marcos do Val.

"Uns 20 minutos. Existia um namoro naquele momento de trazermos senadores para o partido. Nada mais além disso. Não [endossei nenhuma trama golpista]. Por que que eu iria articular alguma coisa com um senador que eu nunca havia conversado?"

Segundo o ex-presidente, a reunião ocorreu a pedido de Daniel Silveira. O então deputado teria, de acordo com Bolsonaro, procurado Marcos do Val após o senador ter demonstrado "algum grau de amizade e intimidade" com o ministro Alexandre de Moraes.

"Ele [Marcos do Val] quis demonstrar que tinha algum grau de amizade e intimidade com o ministro Alexandre de Moraes. Tudo começou por aí. Houve o contato do deputado Daniel Silveira que o Marcos do Val queria falar comigo assunto importante", declarou.

No depoimento, Bolsonaro afirmou ainda que sempre permaneceu "dentro das quatro linhas do texto da Constituição". E que desconhece a informação de que Do Val teria sido "recrutado" por Silveira, mas que o ex-deputado teria dito que o senador teria algo para "mexer com a República".

O caso

A corporação investiga o suposto envolvimento de Bolsonaro em uma trama anunciada pelo senador Marcos do Val, em fevereiro deste ano. Do Val acusou o ex-presidente e o ex-deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) de organizarem uma reunião, quando Jair Bolsonaro ainda era presidente, para propor ao senador a participação em um plano para golpe de Estado.

Marcos do Val afirmou que esperava tratar, na reunião, somente de acampamentos com intenções golpistas mobilizados em apoio ao então presidente.

Segundo o senador, foi discutida, porém, a sua participação em um plano que envolvia a tentativa de gravar uma conversa com Moraes a fim de obter provas que pudessem levar à anulação do resultado das eleições presidenciais de 2022.

Quarto depoimento

Esse foi o quarto depoimento prestado por Bolsonaro à PF desde que deixou o Planalto (relembre abaixo). os outros foram sobre as jóias sauditas, sobre suposta incitação aos atos golpistas e sobre a fraude no certificado de vacinação. Ele afirmou esperar que "muitos outros" vão acontecer. Bolsonaro criticou ainda operação da PF que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereço ligado a ele, em Brasília.

"Motivo de mais um depoimento e muitos outros terão. parece que há algo programado para constranger. E não é a PF. [...] Muitos outros terão. Acho que fazer busca e apreensão na minha casa atrás de cartão de vacina, contra orientação do MP, é para esculachar, para constranger perante a opinião pública", disse.

Deixe seu comentário