POLÍTICA
Dallagnol diz que cassação é fruto de 'vingança' e 'inelegibilidade imaginária'
Por GABRIEL MANSUR
[email protected]
Publicado em 17/05/2023 às 18:10
Alterado em 17/05/2023 às 18:20
Dallagnol deu entrevista cercado por colegas parlamentares Reprodução
Cassado por unanimidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR) alegou, nesta quarta-feira (17), que sua perda de mandato foi consequência direta de sua luta contra a corrupção.
De acordo com o TSE, Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato no Paraná, infringiu a Lei da Ficha Limpa ao renunciar ao Ministério Público enquanto enfrentava processos disciplinares internos que poderiam resultar em punições.
"O motivo da minha cassação foi a minha determinação em combater a corrupção. Hoje é um dia de comemoração para os corruptos e para o Lula", afirmou o ex-deputado.
Em entrevista coletiva realizada no Salão Verde da Câmara, Dallagnol se juntou a parlamentares da oposição ao governo e afirmou ter sido alvo de vingança.
"Fui cassado como forma de vingança, porque tive a audácia de enfrentar o sistema corrupto", completou.
Dallagnol recebeu 344 mil votos no Paraná durante as eleições do ano passado.
'Inelegibilidade imaginária'
O ex-deputado também criticou os ministros do TSE, acusando-os de utilizarem uma "inelegibilidade imaginária" para justificar a cassação de seu mandato, uma vez que, segundo ele, não havia processos administrativos disciplinares abertos contra si.
Ação da oposição
Vale ressaltar que a decisão do TSE foi baseada em uma ação movida pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e pelo PMN contra o registro de candidatura de Deltan.
Os partidos questionaram o registro do ex-procurador com base em duas razões: uma condenação pelo Tribunal de Contas da União (TCU) relacionada a gastos com diárias e passagens de outros procuradores da Lava Jato; e o fato de ele ter solicitado exoneração como procurador enquanto ainda estava sujeito a 15 procedimentos administrativos, que poderiam levar à aposentadoria compulsória ou demissão.
Os partidos alegaram que Deltan tentou contornar a Lei de Inelegibilidade e a Lei da Ficha Limpa ao deixar o cargo antes do início dos procedimentos administrativos.