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CPI DO MST É INSTAURADA E RICARDO SALLES, O DA 'BOIADA', É ESCOLHIDO RELATOR

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Por POLÍTICA JB COM AGÊNCIA ESTADO
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Publicado em 17/05/2023 às 17:19

Alterado em 17/05/2023 às 22:34

Ministro do Meio Ambiente, Salles defendia ocomércio de madeira ilegal Reprodução/Twitter do ministro

Weslley Galzo - A Câmara instalou nesta quarta-feira, 17, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e delegou a Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, a função de preparar o relatório com os resultados da investigação que mira as lideranças e os financiadores do grupo.

O comando da CPI ficará nas mãos do deputado coronel Zuco (Republicanos-RS), que terá como vice-presidentes os parlamentares Kim Kataguiri (União Brasil-SP), Fábio Costa (PP-AL) e Evair de Melo (PP-ES). Todos os membros da mesa diretora da CPI integram a bancada ruralista na Câmara.

Dentre os vinte deputados que compõem a CPI, apenas três não são membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O controle absoluto da apuração pelos ruralistas deve colocar as lideranças do MST contra a parede e ainda buscará desgastar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela aliança histórica do movimento com o PT.

A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) chegou a apresentar questão de ordem para impedir que Salles assumisse o relatório da apuração por, segundo ela, haver conflito de interesses entre a atuação do parlamentar e o tema da comissão.

Sâmia citou que Salles é investigado pela Justiça do Pará por suspeita de corrupção e exportação ilegal de madeira quando ocupou o cargo de ministro do Meio Ambiente durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A deputada ainda afirmou que Salles tem interesses econômicos na investigação por ter recebido doações de campanha do empresário do ramo agropecuário Rubens Ometto, dona do grupo Cosan.

“Ele (Salles) tem um interesse ideológico, político e econômico, pois os financiadores do deputado Ricardo Salles querem que ele preste contas do dinheirão que o trouxe até aqui”, disse Sâmia.

A questão de ordem da parlamentar acabou rejeitado pelo presidente Zuco sob o argumento de que os argumentos por ela apresentados eram subjetivos e que Salles poderia se declarar impedido em votações com relação aos temas pelos quais é investigado. A rejeição do pedido de Sâmia foi aplaudida pela maioria dos deputados e assessores que acompanhavam a sessão do plenário.

Em sua fala de posse da relatoria, Salles afirmou que a CPI vai diferenciar os produtores assentados da agricultura familiar dos “invasores de terras”.“Será um trabalho técnico, objetivo, com o máximo de imparcialidade e espera contar com aqueles que tem uma visão diferente: favorável aos movimentos e à reforma agrária”, disse Salles.

Bate-boca

Logo após a instalação da CPI, houve o primeiro bate-boca entre os deputados Éder Mauro (PL-PA) e Sâmia Bonfim (PSOL-SP). O parlamentar chamou o MST de organização criminosa. Sâmia, por sua vez, disse que Mauro defende torturadores e agora tenta criminalizar movimentos sociais.

A deputada Caroline de Toni (PL-SC) reforçou o coro de que o MST atua como organização criminosa e cobrou a investigação das nomeações de membros do movimento às superintendências do Instituto Nacional de Reforma Agrária e Colonização (Incra) após viagem de João Stédile, fundador do grupo, com Lula à China.

Ao deixar a sessão, Sâmia se irritou com a abordagem de uma jornalista que indagou se ela emprega em seu gabinete a esposa de José Rainha, ex-líder do MST preso por acusações de extorsão. A interpelação irritou a deputada e deu início a mais um bate-boca, desta vez com a presença de assessores que acompanhavam a reunião. Os seguranças da Casa chegaram a expulsar a jornalista para garantir a retomada da sessão.

Além de Sâmia, outros sete deputados são de partidos que integram a base do governo Lula, como PDT, MDB, PSD e União Brasil. A maioria desses parlamentares, porém, pertence a alas de oposição ao Palácio do Planalto, o que coloca Sâmia na condição de voz isolada em defesa do MST na comissão. O único deputado titular e integrante da base que se uniu à defesa do MST foi Max Lemos (PDT-RJ), que acusou grandes produtores rurais de terem adquirido suas propriedades por meio de grilagem e uso da força.

 

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