POLÍTICA

Governo Lula vai ao STF para anular parte da lei que privatizou a Eletrobras

AGU quer derrubar os dispositivos que reduziram o poder do voto estatal nas decisões da empresa

Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 05/05/2023 às 22:39

Alterado em 05/05/2023 às 22:57

Edifício sede da Eletrobras, no Rio de Janeiro Fernando Frazão/Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou, nesta sexta-feira (5), com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a constitucionalidade de dispositivos da Lei 14.182/2021, norma que autorizou a privatização da Eletrobras. O documento é assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo advogado-geral da União, Jorge Messias.

A ação contesta o trecho que trata da redução da participação da União nas votações do conselho da empresa. Segundo a AGU, a lei proibiu que acionista, ou grupo de acionistas, exerça poder de voto maior que 10% da quantidade de ações. Isso porque a privatização transformou a Eletrobras numa "corporation", uma empresa de capital privado sem acionista controlador.

Por isso, nenhum acionista tem poder de voto superior a 10%, mesmo com maior número de ações ordinárias. O mecanismo foi incluído na lei de privatização para evitar que um grupo privado, por exemplo, assumisse o controle da empresa.

No entendimento da AGU, o governo federal, na condição de acionista majoritário, foi prejudicado pela norma. Na petição, a Advocacia-Geral da União ressalta que o objetivo da ação não é reestatizar a Eletrobras, mas resguardar o interesse público e os direitos de propriedade da União - que tem 42,61% das ações ordinárias e teve seu poder de voto reduzido a menos de 10% do capital votante.

O governo alega que a "aplicação imediata desses dispositivos às ações detidas antes do processo de desestatização "representam grave lesão ao patrimônio e ao interesse públicos".

A argumentação é que a União, mesmo após a desestatização da companhia, ocorrida em 2021, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL), embora continue a ser sua maior acionista, teve seus direitos “políticos drasticamente reduzidos por medida injustificável do ponto de vista jurídico-constitucional”.

A Eletrobras detém um terço da capacidade geradora de energia elétrica instalada no país. A companhia também tem quase a metade do total de linhas de transmissão.


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