POLÍCIA
Advogado ligado a Flávio Bolsonaro movimentou R$ 5 bilhões em apostas, diz Fazenda
Por POLÍTICA JB
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Publicado em 20/10/2026 às 19:22
Alterado em 20/10/2026 às 19:22
O advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teve movimentações estimadas em cerca de R$ 5 bilhões em plataformas de apostas on-line em 2025, segundo nota técnica do Ministério da Fazenda. A Polícia Federal investiga se essas operações foram usadas para lavagem de dinheiro.
Tomaz e Flávio são alvos de um inquérito no Supremo Tribunal Federal que apura suspeitas do mesmo crime. O documento da Secretaria de Prêmios e Apostas indica que o advogado foi a pessoa física com maior volume de depósitos em bets no Brasil no período, quase o dobro do segundo colocado.
Blaze, saques milionários e suspeitas de falhas
De acordo com a pasta, o advogado também realizou saques de cerca de R$ 200 milhões na plataforma Blaze, operada pela Foggo Entertainment. Técnicos apontaram possíveis falhas nos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro da empresa, que teria classificado Tomaz como cliente de risco médio, apesar do volume atípico de operações.
Comprovantes apresentados em uma ação judicial movida por Tomaz contra a Blaze indicam R$ 4,8 bilhões em ganhos e quase R$ 5 bilhões em perdas em jogos de cassino ao longo de 2025. O saldo final foi negativo em R$ 163,2 milhões. Segundo os registros, os números incluem reapostas sucessivas dos mesmos recursos e não significam necessariamente novos depósitos a cada rodada.
Bet7K, criptomoedas e apuração da PF
Além da Blaze, Tomaz também apostou R$ 4,8 milhões na Bet7K, operada pelo grupo Ana Gaming, alvo da operação Narco Bet, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro do PCC. Dados do Ministério da Fazenda mostram que ele depositou inicialmente R$ 1,3 milhão, gerando movimentações de R$ 4,3 milhões em jogos on-line, com saques de R$ 426 mil.
Os investigadores também apuram transferências milionárias em criptomoedas envolvendo o contador Rodrigo de Paula Morgado, a Ana Gaming e Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda, conhecido como “Feio” e “Brabo”, apontado pela PF como ligado à casa de apostas. No STF, a investigação está sob relatoria de Alexandre de Moraes e teria surgido a partir de apurações sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de bets.
Disputa judicial e reação da defesa
Em ação cível contra a Blaze, Tomaz alegou sofrer de ludopatia, condição associada ao vício em jogos, e pediu a devolução de R$ 163 milhões, afirmando que a plataforma teria falhas de funcionamento. Em 16 de outubro, a Justiça de São Paulo negou o pedido. O juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível, destacou que o próprio advogado teria solicitado condições especiais para apostas de alto valor, incluindo mesas exclusivas de blackjack.
Em nota, a defesa de Tomaz afirmou que os recursos usados nas apostas têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e foram declarados à Receita Federal. A defesa também negou qualquer vínculo societário ou comercial com a Bet7K ou seus controladores e classificou como “leviana e ofensiva” a tentativa de associá-lo ao crime organizado. Flávio Bolsonaro chamou o inquérito de “fake news” e sua assessoria não comentou o volume de apostas. (reportagem ampliada com informações da agência Sputnik Brasil)