POLÍCIA
'Dark Horse': Delação premiada revela disputa sobre destino de R$ 72 milhões enviados ao exterior para financiar o filme sobre Bolsonaro
Por JB POLÍCIA
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Publicado em 17/10/2026 às 08:09
Alterado em 17/10/2026 às 08:26
O ator Jim Caviezel no pôster de 'Dark Horse': filme virou caso de polícia Foto: divulgação
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior afirmou à Polícia Federal que acreditava estar comprando cotas de um investimento em "empreendimentos imobiliários" nos Estados Unidos, ao depositar milhões de Vorcaro em um fundo nos Estados Unidos. Ele diz que só descobriu que se tratava do filme sobre Bolsonaro - o Dark Horse - depois que o caso estourou na mídia. A operação financeira movimentou US$ 12,3 milhões para um fundo aberto no exterior por um advogado amigo de Eduardo Bolsonaro.
Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, foi responsável por transferir os valores ao fundo após um acerto com o banqueiro Daniel Vorcaro, relacionado a repasses justificados como financiamento do filme.
Contradições apontadas pela Polícia Federal
Em relatório sobre o depoimento, a própria PF registra contradições no relato do empresário. A corporação afirma que um dos documentos assinados pela empresa menciona explicitamente a destinação dos recursos ao filme, o que diverge da versão de Freixo Júnior de que ele desconhecia a finalidade cinematográfica da operação.
Por causa dessas inconsistências, a PF solicitou autorização para ouvi-lo novamente e também pediu acesso a novos documentos que possam esclarecer a estrutura da transação. O relatório foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por supervisionar o inquérito.
Origem dos recursos e próximos passos da investigação
Os documentos entregues pelo empresário indicam que os aportes ao fundo Havengate ocorreram entre fevereiro e setembro de 2025. A PF afirma que R$ 72 milhões foram remetidos ao exterior, enquanto Freixo Júnior recebeu R$ 90 milhões no Brasil para cobrir os pagamentos realizados fora do país.
Ele sustenta que fez os repasses a pedido de Vorcaro por conta de um problema em uma conta no exterior do cunhado dele, Fabiano Zettel, e afirma que pretendia transferir as cotas do "empreendimento imobiliário" após a regularização cadastral. O empresário também disse que só tomou conhecimento do verdadeiro propósito do fundo após reportagens na imprensa e que pediu a devolução dos valores, sem sucesso.
A PF pediu ainda a prorrogação do inquérito por 90 dias para seguir com as diligências. Flávio e Eduardo Bolsonaro são investigados no caso, e o material já foi encaminhado ao STF para análise das próximas medidas.