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Financiadora do filme sobre Bolsonaro recebeu verba do crime organizado, diz ministro

Dario Durigan afirmou haver fortes indícios de ligação entre a Entre Investimentos, o crime organizado e a nova fase da Operação Carbono Oculto

Por JB POLÍCIA

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que há fortes indícios de que a Entre Investimentos, empresa ligada a Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, foi usada para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Segundo ele, a estrutura também teria recebido recursos do grupo do Banco Master e de organizações criminosas, o que reforça a suspeita de conexão entre os casos investigados.

Durigan disse ainda que a empresa teria sido utilizada para repasses ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e classificou o grupo como uma espécie de “lavanderia” do crime organizado dentro do sistema financeiro. Para o ministro, a apuração mostra um ambiente com múltiplas camadas de dissimulação para esconder a origem e o destino dos valores.

Operação mira uso de empresas, fundos e fintechs

A nova fase da Operação Carbono Oculto, chamada Crédito Oculto, foi deflagrada nesta quinta-feira pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal. Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.

As investigações apontam que a estrutura financeira teria sido usada para movimentar valores por meio de contas, fundos de investimento, contas gráficas e fintechs, criando camadas sucessivas para dificultar o rastreamento. A Receita informou que a movimentação identificada na terceira fase da operação chega a R$ 11 bilhões.

Foco também recai sobre usina e setor de combustíveis

De acordo com os investigadores, a primeira estrutura detectada teria sido montada para esconder os reais proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Outro operador financeiro, ligado a fintechs, teria usado a infraestrutura societária do grupo empresarial para ajudar a movimentar recursos e criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade do ativo.

Além disso, a apuração indica que a Entre Investimentos também pode ter participado da compra de uma distribuidora de combustíveis ligada ao crime organizado. A combinação desses elementos levou as autoridades a relacionar o caso Master à nova fase da operação.

Alvos incluem empresário e ex-diretor de banco

Entre os alvos da operação estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, e Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos. Procurada, a defesa do empresário informou que não irá se manifestar.

Em nota, o Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá não integra mais a diretoria nem é sócio da instituição desde maio de 2026. O banco também disse ter fornecido informações ao Gaeco e comunicado as operações ao Coaf, além de ter adotado medidas internas de governança e controle após tomar conhecimento dos fatos.

A instituição declarou ainda que renunciou à administração do Fundo Radford após a deflagração da operação e que segue à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e prestar esclarecimentos. As apurações continuam sob sigilo em parte dos detalhes, enquanto os órgãos envolvidos cruzam documentos, estruturas societárias e fluxos financeiros. (reportagem ampliada com informações da CNN Brasil)