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PF aponta manipulação na avaliação do aplicativo do Banco Master feita por Vorcaro

Relatório anexado ao STF detalha suposta estratégia coordenada para inflar avaliações, comentar positivamente e melhorar a imagem do banco

Por JB POLÍCIA
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Publicado em 10/07/2026 às 13:35

Alterado em 10/07/2026 às 13:36

Daniel Vorcaro Agência Brasil

Um relatório da Polícia Federal anexado aos autos de uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal afirma que Daniel Vorcaro teria comandado uma estratégia coordenada para manipular a imagem do Banco Master. Segundo o documento, a ofensiva incluía avaliações infladas, comentários fabricados e a disseminação de conteúdo positivo sobre o banqueiro e o conglomerado.

A investigação está sob relatoria do ministro André Mendonça. A PF diz que as ações não refletiam a experiência real dos usuários, mas um esforço deliberado para influenciar a opinião pública e melhorar artificialmente a reputação empresarial de Vorcaro.

Nota do aplicativo teria subido em menos de três semanas

As mensagens citadas no relatório indicam que a operação começou em dezembro de 2023. Em 20 de dezembro daquele ano, o aplicativo do Master registrava 3,1 estrelas na App Store e 2,2 no Google Play. No mesmo dia, Luiz Phillipi Mourão teria relatado ao banqueiro que as avaliações estavam baixas e que havia pedido para elevá-las.

De 20 de dezembro de 2023 a 9 de janeiro de 2024, a PF afirma que foram registradas 81 novas avaliações na App Store e que a nota do aplicativo saltou para 4,1 estrelas. Em conversas reproduzidas no relatório, Vorcaro orientava cautela para evitar comentários excessivamente elogiosos e não deixar a manobra evidente.

Comentários fabricados e busca por espaço positivo na internet

O relatório também aponta uma frente voltada para buscadores e imprensa. Mourão teria informado que o grupo estava subindo matérias positivas no Google para ofuscar conteúdos negativos, além de impulsionar reviews no Google Meu Negócio, na Apple App Store e na Google Play Store. Pouco antes de 24 de janeiro de 2024, ele afirmou ter emplacado 31 matérias positivas, sendo sete já ranqueadas na primeira página.

Em outro trecho, a PF relata pedidos para disparar comentários elogiosos em publicações da IstoÉ e do Brazil Journal. Entre as frases atribuídas a supostos leitores estavam elogios como “Cada palavra desse cara vale ouro” e “Parabéns ao empresário”, o que reforçaria a suspeita de comentários artificiais para sustentar a narrativa favorável ao banqueiro.

Outras frentes investigadas e desdobramentos do caso

A apuração também relaciona a suposta tentativa de formação de um conglomerado de mídia, que incluiria veículos como Brazil Journal e IstoÉ. Além disso, o relatório menciona acesso a inquéritos sigilosos, encomenda de dossiês, tentativa de intimidar pessoas contrárias aos interesses do banqueiro e distribuição de apartamentos e viagens em jatinho a lideranças políticas.

Entre os episódios citados está a encomenda de um dossiê contra o CEO do Banco Itaú. Nos desdobramentos do caso, houve operação de busca e apreensão contra Thiago Miranda, ligado à Mithi. O Banco Master teve a liquidação extrajudicial decretada em novembro do ano passado, e o Will Bank, fintech comprada pelo grupo, também acabou em liquidação extrajudicial em janeiro deste ano. (com informações do BPMoney)

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