POLÍCIA
PF mira Chiquinho Brazão, acusado do assassinato da Marielle, em investigação sobre desvio de emendas
Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 09/07/2026 às 12:38
Alterado em 09/07/2026 às 14:33
Chiquinho Brazão Agência Brasil
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) a Operação Emendatio para investigar um suposto esquema de desvio de verbas parlamentares no Rio de Janeiro. A ação cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão, além de ter autorizado o bloqueio de R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados.
Quem é alvo da investigação
Entre os presos estão Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor de Domingos Brazão, e Robson Calixto Fonseca. Ambos também foram condenados no caso Marielle Franco. Chiquinho Brazão, ex-deputado cassado e condenado pelo assassinato da vereadora, também aparece entre os alvos da apuração conduzida pela PF.
Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, que mantém a investigação por envolver autoridades com foro especial. Mesmo após deixar o cargo, Chiquinho Brazão segue sendo investigado pelo STF em razão dos fatos apurados no caso.
Como funcionava o esquema, segundo a PF
A investigação aponta que recursos vindos de emendas parlamentares federais eram direcionados a organizações da sociedade civil no Rio, que mantinham contratos e parcerias com órgãos públicos. Segundo a PF, parte da verba era desviada por meio de pagamentos indevidos, uso de empresas de fachada e pessoas usadas como laranjas para ocultar os reais beneficiários.
Também há suspeitas de superfaturamento, conluio entre empresas participantes de cotações de preços e inexecução contratual. O objetivo da operação é reunir novas provas, identificar outros envolvidos e aprofundar a análise financeira e patrimonial dos investigados, com foco na recuperação de bens e valores relacionados ao esquema.
Relação com o caso Marielle Franco
Em fevereiro deste ano, o STF condenou os irmãos Brazão a 76 anos de prisão pelo assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Domingos e Chiquinho Brazão foram responsabilizados por organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio qualificado.
Outros réus também foram condenados no processo, incluindo o delegado Rivaldo Barbosa e o ex-policial militar Ronald Paulo Alves. Antes disso, o Tribunal de Justiça do Rio já havia condenado os executores do crime, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz. A defesa de Chiquinho Brazão, procurada pela reportagem, não quis se manifestar.