POLÍCIA
PF faz operação contra rede de lavagem ligada ao PCC
Por JB POLÍCIA
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Publicado em 03/07/2026 às 07:50
Alterado em 03/07/2026 às 08:39
Ação inclui mandados de prisão e busca, além do bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados Foto: PF
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A ação inclui mandados de prisão e busca, além do bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados.
Entre os alvos da operação estão pessoas que também foram sancionadas pelo governo dos Estados Unidos, como Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada. Segundo a investigação, o grupo usava uma estrutura financeira sofisticada para movimentar recursos ilícitos entre Brasil, Estados Unidos e outros países.
Como funcionava o esquema investigado
De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos utilizavam transferências ilícitas de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. A suspeita é de que o conjunto dessas operações servisse para ocultar e dissimular a origem dos valores ligados ao tráfico.
Ao todo, foram expedidos 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em endereços na capital paulista, em Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A Justiça também determinou o sequestro de até R$ 10,4 bilhões em bens, valores e ativos digitais.
Quem são os principais alvos
Victor Shimada é apontado pelos Estados Unidos como um elo importante entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais. O governo norte-americano afirma que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos e usado criptomoedas para enviar valores de volta ao Brasil em nome da facção.
Stella Stefanie, segundo o governo dos EUA, é parente de Shimada e atuava como secretária dele. As autoridades afirmam que ela teria funcionado como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro e na logística usada para sustentar as operações de lavagem da rede.
Relação com o caso VaideBet
No Brasil, Victor Shimada também aparece em investigações sobre o suposto desvio de recursos no contrato entre o Corinthians e a VaideBet. Segundo denúncias aceitas pela Justiça, a Victory Trading, empresa da qual ele é sócio, teria movimentado valores com a Wave Intermediações e Tecnologias Ltda. e com a UJ Football Talent.
A apuração aponta uma cadeia financeira que teria passado por diferentes empresas após os recursos saírem da conta do Corinthians. Shimada foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro e, em janeiro de 2025, chegou a ficar brevemente em prisão domiciliar em outro processo.
Sanções dos EUA e próximos passos
As sanções foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano e representam a primeira rodada de medidas econômicas do governo Trump contra alvos que, segundo Washington, têm ligação com o PCC. O governo dos EUA afirma que a facção usa o sistema financeiro norte-americano para lavar dinheiro e representa ameaça à segurança nacional.
Os investigados podem responder, em tese, por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A defesa de Shimada nega envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro e afirma que só irá se manifestar após acesso aos documentos oficiais do caso.