Mãe de miliciano, ex-assessora de Flávio Bolsonaro na Alerj é denunciada por lavar dinheiro do filho
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Por Henrique Rodrigues - O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresentou nesta quinta-feira (19) uma denúncia formal contra Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora do gabinete de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela é acusada de integrar uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro para ocultar recursos oriundos da contravenção e do jogo do bicho controlados por seu filho, o miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2020.
A denúncia aponta que Raimunda fazia parte de uma estrutura composta por empresas de fachada que movimentaram cerca de R$ 8,5 milhões. Entre os negócios utilizados para dar aparência lícita ao dinheiro do crime, os investigadores identificaram depósitos de bebidas, bares e até um quiosque de serviços de sobrancelha em um shopping da Zona Norte, que registrou movimentações de R$ 2 milhões em apenas seis meses.
Conexões políticas e o caso das 'rachadinhas'
Raimunda trabalhou com Flávio Bolsonaro, que atualmente é senador e figura como pré-candidato à Presidência da República, entre abril de 2016 e novembro de 2018. Vale lembrar que ela já havia sido alvo das investigações sobre o esquema de “rachadinha” no antigo gabinete do parlamentar, processo que acabou arquivado após decisões dos tribunais superiores (STJ e STF) que anularam as provas colhidas na época.
Expansão da organização criminosa
As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado) revelam que a estrutura criminosa de Adriano da Nóbrega não apenas sobreviveu à sua morte, como se sofisticou. O MP-RJ ofereceu três denúncias distintas que detalham:
Liderança de Julia Lotufo: A viúva do miliciano é apontada como a peça-chave na contabilidade e controle de ativos, operando negócios de agiotagem e mercado imobiliário irregular.
Envolvimento de parlamentar: O deputado federal Juninho do Pneu (União Brasil-RJ) também foi denunciado. Ele é acusado de adquirir bens de Adriano, avaliados em R$ 3,5 milhões, mesmo tendo ciência da origem ilícita do patrimônio.
Rede de matadores: Uma das ações penais foca especificamente na manutenção de um grupo de matadores de aluguel que prestava serviços à organização.
De acordo com os promotores, o grupo mantinha uma associação estreita com o bicheiro Bernardo Bello para o controle de pontos de jogo em Copacabana. A Justiça agora deve decidir se aceita as denúncias, tornando os envolvidos réus no processo que investiga a ocultação de patrimônio e a persistência das atividades da milícia no Rio de Janeiro.