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Nessas eleições o melhor candidato é o Brasil

O entreguismo solerte

Por ADHEMAR BAHADIAN
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Publicado em 24/10/2026 às 16:58

Alterado em 24/10/2026 às 16:58

Dentre tantas mentiras e astúcias que estamos a ver nesta campanha eleitoral, uma delas vem sendo camuflada de forma maliciosa pela candidatura Bolsonaro, sem receber até agora uma resposta clara sobre suas consequências para o futuro do Brasil.

No debate eleitoral, Lula perguntou a Bolsonaro se ele pretendia entregar as terras raras do Brasil para os Estados Unidos da América.

De forma teatral e histriônica, Bolsonaro afirmou que colocaria o Brasil no "Escudo das Américas" e disseminaria as Forças Armadas brasileiras pela Amazônia para acabar com o narcotráfico no país.

A resposta de Bolsonaro, além de não responder a Lula, deixa o eleitorado brasileiro numa zona nebulosa sobre um assunto da maior gravidade sobre o futuro de nosso país.

O "Escudo das Américas" é muito mais que um estratagema para o combate ao narcotráfico. Na realidade, trata-se de ardiloso mecanismo com poderosas consequências para a liberdade dos países das Américas de soberanamente conduzir suas ações de comércio e atração de investimentos sem o prévio consentimento dos Estados Unidos.

O caso mais óbvio, efetivamente tem a ver com as terras raras, porque os Estados Unidos, como está fazendo com as reservas petrolíferas, pretende tornar-se um detentor de matérias raras de que o Brasil é o segundo maior possuidor no mundo.

Mas, ao mesmo tempo, o Escudo das Américas, cria um mecanismo de "consulta" entre ele os demais países da coalizão em que os projetos de investimentos estrangeiros serão sujeitos a um "nada obsta" do governo americano à luz de sua geopolítica para as Américas, sobretudo em relação ao crescimento do comércio bilateral com a China.

O "Escudo das Américas" se torna assim um instrumento regulador de regras do comércio regional e internacional das Américas muito mais rígido que a própria OMC e poderá impedir transações comerciais e de investimento que na própria OMC são permitidos.

E as restrições comerciais ao Brasil, caso ele se torne membro do Escudo das Américas, poderão inclusive ter enorme impacto em nossa política de compras governamentais, em nossas compras de medicamentos para o SUS originários da China e da Índia. Teremos mais dispêndios de dólares sem qualquer contrapartida.

A decisão já tomada por Bolsonaro de nos colocar no Escudo das Américas é um ato de servilismo econômico e comercial e pode inclusive tornar o equilíbrio de nossas contas nacionais ainda mais difícil senão impossível.

O silêncio de nossas classes empresariais sobre o assunto não me espanta. Embora o agronegócio seja o primeiro a se ressentir, a expectativa da classe empresarial se localiza em nova reforma fiscal em que os impostos serão mais pesados sobre o assalariado do que sobre o capital. Puro modelo Trumpista que enforcou a classe média americana.

Outra faceta perigosíssima do Escudo das Américas é a de tornar a OEA o principal órgão de consulta do Escudo das Américas e sobretudo envolver o TIAR, Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, o mecanismo principal de soluções de controvérsias. O comércio hemisférico obedecerá às visões militares dos Estados Unidos da América.

Poderia continuar escrevendo sobre o assunto ainda mais. Mas o que quero ressaltar aqui é que o Escudo das Américas é o nosso Cavalo de Tróia contemporâneo e nos afetará de forma desumana e cruel.

Este fato, este entreguismo solerte aos Estados Unidos da América, deveria tornar inelegível qualquer candidato a presidente da República.

Como Bolsonaro já anunciou publicamente que, se for eleito, tornará o Brasil membro deste monstrengo.

NÃO VOTAR EM BOLSONARO É UM ATO DE DEFESA NACIONAL.

Adhemar Bahadian é embaixador aposentado

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