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Jamais haverá um juiz como Kassio Nunes

A teia de negócios e vínculos de Kassio Nunes, até agora divulgados pela mídia, mostra uma enorme plantação de bananas jurídicas

Por LUÍS NASSIF
Do Jornal GGN

Publicado em 14/10/2026 às 13:23

Alterado em 14/10/2026 às 13:23

Luís Nassif Foto: reprodução

O Judiciário tem exemplos de Ministros que usam o cargo como extensão dos escritórios próprios ou dos filhos. Tem mazelas, exageros, desrespeitos à liturgia dos cargos. Porém, por mais que o tempo passe, por mais que se investigue o passado, jamais haverá alguém que chegue minimamente perto do Ministro Kassio Nunes Marques.

Nem se fale dos programas com prostitutas, com quase meninas fugidas da guerra na Ucrânia.

A teia de negócios e vínculos de Kassio Nunes, até agora divulgados pela mídia, mostra uma enorme plantação de bananas jurídicas.

Dentre elas:

1. Caso Banco Master
O fato novo mais relevante é a notícia de fato apresentada ao STF em 12 de outubro de 2026, pelos deputados Rui Falcão e Rogério Correia, ambos do PT.

A representação pede investigação de possíveis crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio, prevaricação e participação em organização criminosa.

A. Pagamentos envolvendo o filho do ministro
Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio, recebeu R$ 281,6 mil em 11 transferências da Consult Inteligência Tributária.

A Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS.
O Coaf identificou movimentações incompatíveis com o faturamento declarado pela Consult e levantou a possibilidade de a empresa ter funcionado como conta de passagem.

Mensagens entre Daniel Vorcaro e Luiz Rennó, diretor jurídico do Master, mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil associados a Kevin.

B. Julgamento da destilaria Alcídia
Em outubro de 2024, Nunes Marques participou de julgamento relacionado a indenizações bilionárias no setor sucroalcooleiro, de interesse econômico do Banco Master.

O ministro inicialmente se declarou impedido, mas reviu a posição e proferiu voto decisivo favorável à tese da empresa credora.

Após a decisão, Rennó enviou mensagem a Vorcaro comemorando o resultado e, em seguida, encaminhou informações de contato de Kevin Marques com a expressão “Dominado aqui”.

A questão investigativa é se existiu alguma relação entre o resultado judicial, os interesses econômicos do banco e os pagamentos ao entorno do ministro.

A defesa de Kassio sustenta que o impedimento inicial decorria de sua atuação anterior no TRF-1 e que sua revisão foi juridicamente justificada (clique aqui).

20 de fevereiro de 2024 — Impedimento
O julgamento termina empatado em 2 a 2. Nunes Marques não participa porque o sistema registra seu impedimento, relacionado à atuação anterior no mesmo caso, quando era desembargador do TRF-1.

7 de março de 2024 — Reversão
Kassio afasta o impedimento. Alega que o registro resultou de equívoco de sua assessoria e que sua participação anterior não impediria o julgamento da tese no STF.

17 de setembro de 2024 — Pedido de vista
Kassio pede vista do processo. Mensagens reveladas posteriormente indicam que integrantes do Master discutiam maneiras de adiar o julgamento, mas não demonstram que o pedido de vista tenha sido combinado com eles.

1º de outubro de 2024 — Voto decisivo
Kassio acompanha Fachin e Toffoli, formando maioria de 3 a 2 favorável à Alcídia. Gilmar Mendes e André Mendonça ficam vencidos.

1º de outubro de 2024 — Mensagens
Às 16h58, Luiz Rennó comunica a Vorcaro: “Ganhamos alcidia”. Quatro minutos depois, envia o contato de Kevin Marques, filho do ministro, com a expressão “Dominado aqui”.

3 de junho de 2025 — Embargos
A Segunda Turma rejeita embargos da União, novamente por 3 a 2.

10 de outubro de 2025 — Trânsito em julgado
Segundo o histórico processual publicado, encerra-se a possibilidade de recursos ordinários naquela controvérsia.

Fontes: revista piauí e histórico do ARE 1.327.995.

C. Hospedagens e viagens de luxo
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mencionam:

O custeio de uma mansão no Joá, no Rio de Janeiro, durante o Carnaval de 2025, com custo citado de R$ 1,45 milhão.

Uma viagem internacional solicitada por um telefone associado ao ministro, para cinco pessoas, com possível intermediação financeira de Vorcaro.

Despesas de hotel que o banqueiro teria autorizado lançar em sua conta (clique aqui).

D. Contrato advocatício de até R$ 427 milhões
O escritório da advogada Camilla Ewerton Ramos, mulher do desembargador federal Newton Ramos, firmou contrato com o Master prevendo honorários de até R$ 427 milhões, condicionados a resultados em processos de precatórios.

Mensagens do entorno de Vorcaro se referem ao casal como integrante da chamada “Turma do KN”, possível alusão a Kassio Nunes Marques.

A suspeita a apurar é se a proximidade com magistrados representava um ativo comercial oferecido ao banco. O escritório afirma que não recebeu os honorários previstos.

E. Festas com moças de programa
Em 28 de fevereiro de 2025, durante o Carnaval, Vorcaro organizou uma festa em seu tríplex no Itaim Bibi, em São Paulo.

Mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram que um funcionário informou ter disponibilizado um quarto para um “ministro com 5 meninas”.

A festa teve despesas registradas de aproximadamente R$ 62,3 mil. Segundo as reportagens, havia contratação de serviços de alimentação, organização de convidados e recolhimento de celulares.

Investigadores da PF e do STF consideram a possibilidade de a referência ser a Kassio Nunes Marques, mas as mensagens divulgadas não comprovam a identidade do ministro mencionado.

Em 7 de março de 2025, uma mulher identificada como Rayanna, que teria intermediado a presença de garotas de programa, enviou mensagens a Vorcaro.

Rayanna

“Ela disse que ficou com o kassio”

“Ela tá me cobrando aqui”

Daniel Vorcaro

“Dados e valor”

Rayanna

“10 né!”


2. Relações com advogados ligados a Flávio Bolsonaro
Outro eixo importante envolve três advogados:

Otto Medeiros de Azevedo Júnior: amigo de Nunes Marques, segundo reconhecimento do próprio ministro.

Karine Nunes Marques: irmã do ministro e advogada.

Tracy Joseph Reinaldet dos Santos: coordenador jurídico da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Reportagens identificaram atuações profissionais conjuntas desses advogados em processos judiciais. Otto e Tracy também aparecem ligados à defesa de determinados clientes, inclusive em causas com participação de Karine.

Kassio já declarou impedimento em processos nos quais Otto atuava, em razão da amizade. Entretanto, Tracy também representa Flávio Bolsonaro em procedimento sob relatoria do ministro.

3. Atuação no TSE e suspeitas de parcialidade eleitoral
Como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques enfrenta questionamentos sobre decisões envolvendo a disputa presidencial de 2026.

Em 13 de outubro, a imprensa noticiou que, a pedido de Flávio Bolsonaro, o ministro suspendeu a circulação do jornal Petróleo dos Brasileiros, publicado por sindicato dos petroleiros.

O argumento jurídico foi que o material constituiria propaganda eleitoral favorável a Lula, financiada por entidade sindical. O sindicato contesta a decisão e sustenta que houve violação da liberdade de expressão.

Especialistas ouvidos pela imprensa divergiram da interpretação adotada pelo ministro.

Em outro episódio, Kassio determinou a suspensão de um canal de WhatsApp denominado “Exército do Lula”, decisão posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral.

Esses episódios alimentam pedidos políticos de suspeição.

4. Relações com magistrados do TRF-1
O desembargador Newton Ramos, próximo a Nunes Marques e seu antigo juiz auxiliar, tornou-se alvo de apuração do CNJ envolvendo decisões relacionadas ao Master.

Newton votou em processos que atenderam a interesses do banco antes de sua esposa, Camilla Ramos, firmar o contrato de honorários de até R$ 427 milhões.

A Corregedoria do CNJ determinou uma fiscalização extraordinária no gabinete do magistrado. Newton nega irregularidades e afirma que, quando o Master passou a figurar formalmente no processo, declarou-se impedido.

A relação com Kassio é um elemento de contexto da rede de influência.

5. Questionamentos anteriores à nomeação ao STF
Em 2020, durante sua sabatina no Senado, Nunes Marques enfrentou acusações de possível plágio acadêmico, questionamentos sobre títulos obtidos no exterior e referências a mais de 25 representações no CNJ por demora no julgamento de processos.

O ministro rejeitou as acusações. Afirmou que sua dissertação havia passado por verificação da universidade e que as reclamações no CNJ não diziam respeito a desvios de conduta (clique aqui).

Um governo Flávio Bolsonaro
Kassio Nunes Marques e André Mendonça, e seu Instituto Iter, são exemplos pálidos do que poderiam ser os negócios em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Os negócios públicos seriam tocados por Willer Tomaz, Frederico Wassef, Tracy Joseph Reinaldet entre outros.

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