ARTIGOS

Perplexidades de 'um liberal impenitente' (*)

Por HÉLIO PAULO FERRAZ

Publicado em 13/10/2026 às 10:25

Alterado em 13/10/2026 às 10:25

A esquerda brasileira se tornou dona da verdade, dogmática e autoritária.

Com muitos matizes desde a segunda internacional varreu a vertente anarquista (**) capturada pelo Stalinismo/Leninismo, Chavismos, Kimjonguismo e Maoísmo, como outra face totalitária dos nazismos, facismos, franquismos.

Fui jovem da geração LIBERTÁRIA dos anos 1960, dos Hippies, “É proibido proibir”, Paris 68, Tropicália, até Sartre e o Eurocomunismo, à Perestroika (fui do PPS, ex PCB, pós PL e PFL).

O traço “essencial” da esquerda verdadeira nos parece a busca do homem livre e autônomo, em todos os planos sejam o cultural, econômico, social e político.

As certezas são autoritárias e tiranas, as dúvidas, entretanto, a raiz da criatividade.
Ademais, somente o amor ao próximo e a solidariedade (mensagem original de Cristo) podem dar sentido à vida e à própria política.

Tendo a votar à esquerda, sempre, mas a daqui está dogmática e autoritária, e nossa direita conservadora adula a ditadura. Não há uma Nova Direita.

O vento direciona a mudança à direita, é visível … mas ultraconservadora e “ultrista, é duro engolir.

As ditaduras “y compris” do proletariado, ou “da Toga”, não são praias de liberais, e muita gente, vide o primeiro turno.

Eliminar adversários políticos, não é democrático. Não é à esquerda e nem será à direita.
O brasil precisa de Paz, não uma Pax Romana.

A corrupção é filha legítima do autoritarismo antidemocrático.

Eleição majoritária não se resolve no plano do consciente, mas simbólico, no universo das metáforas … quase onírico... durante a vigília e certo, ou errado, a direita parece ter encarnado melhor a simbologia de mudança.

Penso que política seja ampliar, agregar, assim sem Alkmin e Janja no juntos no palanque não ganha...

Disseram-me um jornalista super top e um pós-graduado em pesquisas, que a eleição estaria definida. Salvo um megaevento. Óbvio, pode acontecer, o “imponderável da política” brindado por Jango a Riff, na China, na renúncia de JQ.

Vivido no futebol sei que o jogo só termina quando acaba, não sei… se a garotada na rua… pode mudar o jogo... Lembro caras pintadas… polarizado, porém...

Política tem que ter rua… sim, e seu amplo espectro social, cultural, racial comportamental e matizes políticos … sempre ampliar, nunca restringir, …

Teria dito Confúcio: “A gente não pode mudar o vento, mas ajustar as velas pra buscar o nosso destino.”

Finalizo ao parafrasear a icônica abertura de Ana Karenina: “Todas as famílias felizes se parecem, as infelizes, o são cada qual a seu modo...”

A esquerda e a direita brasileira são AUTORITÁRIAS, “... o são cada qual a seu modo”.

Quero votar certo, ... pela democracia e pela liberdade, quase uma “Escolha de Sofia”.

É o que tenho para hoje, dia 25, não vou me abster.

______________________

(*) Alusão a John Kennet Galbraith e adjetivação dada a Mario Vargas Llosa

(**) - 1937 em Barcelona marca o fim da revolução social libertária e sela o destino da República Espanhola e expôs a fratura irreconciliável dentro do campo antifascista: anarquistas e marxistas dissidentes) e comunistas pró-URSS e republicanos)
Anarquismo Social - Hegelianismo de esquerda: a liberdade individual e a igualdade social são compatíveis.

Pierre-Joseph Proudhon - 1809/1865 - primeiro grande ideólogo anarquista - “socialista utópico” denominou Marx. a liberdade interligada à solidariedade social.

Anarquismo coletivista - Mikail Bakunin, propriedade coletiva e remuneração individual
Anarcocomunismo - Pitr Kropotkis - " de cada qual segundo sua capacidade a cada qual segundo suas necessidades, sem dinheiro ou salários.

Deixe seu comentário