ARTIGOS
A história se repete. 1961...1990...2019. Que datas seriam essas?
Por JOÃO AUGUSTO DE MACEDO COSTA
Publicado em 02/10/2026 às 14:38
Alterado em 02/10/2026 às 14:38
A primeira coisa que causa espécie é o intervalo de tempo que as separa. Entre 1961 e 1990 mederam 29 anos. Exatamente o mesmo tempo que vai de 1990 a 2019. Seria algum tipo de ciclo? Se assim fosse a próxima efeméride estaria marcada para 2049, muito tempo para nos preocuparmos agora. Será mesmo?
Vamos olhar com mais detalhe. O que aconteceu nesses anos específicos?
Em 1961, Jânio Quadros iniciou o seu governo de curta duração; em 1990, Collor iniciou o seu governo de curta duração. E, em 2019, Bolsonaro iniciou o seu, que durou os quatro anos regulamentares, mas escancarou ao que vinha naquela famosa reunião de 2020, que não era para ter sido gravada e felizmente foi. Felizmente para o país.
Lembram? A reunião da passagem da boiada ambiental, da mudança do ministro da saúde, da proteção aos filhos, ao custo que fosse, e da demissão pública de Sérgio Moro.
Vamos contextualizar um pouco mais.
Jânio ganhou em 1960, ao fim do governo JK. O país estava em crise econômica, inflação crescente, causadas pelos grandes investimentos de JK em industrialização e na construção de Brasília (esta, um tanto polêmica até hoje). JK era acusado de corrupção. Corrupção houve na construção de Brasília, mas não foi parar nos bolsos de JK que hoje é unanimemente reconhecido como chefe de um governo que mudou o país de patamar com a industrialização e a criação do sistema elétrico interligado.
Jânio era um pastel de vento brandindo sua vassourinha de combate à corrupção. Quando morreu, descobriram que tinha uma polpuda conta na Suíça e centenas de imóveis.
Collor ganhou em 1989, naquele famoso debate final contra Lula editado pela Rede Globo. O país estava em crise econômica – e bota crise nisso – hiperinflação causada pela Crise da Dívida Externa de 1980, dívida que fomos obrigados a contrair comprando petróleo com petrodólares emprestados na década de 70. Naquela ocasião, os juros americanos, historicamente entre 6-6,5%, subiram para espantosos 20% a.a. O país pagava sua dívida em 4 anos à banca internacional e continuava com ela. Tinha sido obrigado a recorrer ao FMI em 1982.
Collor era um pastel de vento brandindo o mantra da caça aos marajás. Foi impichado por corrupção denunciada por seu motorista. Seu operador, Paulo Cesar Faria – qualquer semelhança com o Queiroz não é mera coincidência - foi assassinado misteriosamente.
Bolsonaro, o Jair, ganhou em 2018. O país estava em crise econômica, inflação crescente causada pela Crise do Subprime iniciada nos Estados Unidos em 2008, cujos efeitos mundiais se iniciaram no fim do governo Lula e atravessaram os governos Dilma (impichada em 2016) e Temer.
Bolsonaro era um pastel de vento, que não participou de nenhum debate, a partir da facada da qual foi vítima. Ganhou sem que se soubesse o que pretendia fazer. Era um ilustre desconhecido que se tornou conhecido no país inteiro da noite para o dia a partir de sua participação na votação do “impeachment” de Dilma, quando pronunciou seu inesquecível elogio à tortura. Ganhou a alcunha de mito.
Após eleito, seu passado foi gradualmente emergindo quando seu operador de “rachadinhas”, o Queiroz, já atuando para o filho Flávio na Alerj, foi descoberto escondido na casa de seu advogado assim como suas ligações com a milícia e com um dos assassinos de Marielle que, por coincidência, morava no seu condomínio. Tudo varrido para baixo do tapete graças a seu PGR. Mas, sua tentativa de golpe não pôde ser varrida e Bolsonaro hoje está preso, como sabemos.
As semelhanças entre as três eleições acima não parecem ser meras coincidências, como dizia aquele “disclaimer” dos cinemas que frequentávamos no passado.
Conclusão
E agora? A atual eleição apresenta semelhanças inquietantes com as três situações acima descritas, não? Será que o ciclo acelerou e a efeméride prevista para 2049 se antecipou? Se não, vejamos:
• Flávio Bolsonaro é um pastel de vento assumido. Ele mesmo reconhece. A política econômica será de um preposto da Faria Lima. Talvez seja por isso que ele é apoiado pelos rentistas que terão a política econômica de juros reais altos de que tanto gostam. O passado e as ligações do chefe não importam. O país que se dane. Se houver uma deterioração da segurança, “a gente se muda para Miami”.
• Flávio Bolsonaro, aquele que tanto brada contra a corrupção, é um corrupto de carteirinha, cevado nas “rachadinhas” iniciadas pelo pai e, ultimamente, pela grana do Vorcaro.
• Flávio Bolsonaro deve ter ligações com o crime organizado do PCC e CV. Portanto, interessa a ele colocar o Brasil de joelhos perante os interesses americanos, e o preço que pagaremos será a benevolência americana para com o nosso crime organizado, ao contrário do que eles americanos apregoam. É o avesso do avesso do Caetano; são as tenebrosas transações descritas por Chico Buarque.
Engenheiro elétrico aposentado e aviador.