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Nestas eleições, o melhor candidato é o Brasil
Por ADHEMAR BAHADIAN
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Publicado em 09/09/2026 às 14:47
Alterado em 09/09/2026 às 14:47
Geralmente escrevo um artigo por semana. Mas, a crise política que estamos a viver me sugere quebrar esta regra para, com toda a singeleza e tranquilidade, compartilhar com meus leitores o que está em jogo nestas eleições, principalmente o que se tornou claro para mim ,ao ouvir o discurso de Flavio Bolsonaro no 7de setembro, em São Paulo.
Flavio não é um bom orador. Ouvi-lo exige esforço. O Português é pobre, o ritmo confunde ênfase com gritos.. A gesticulação se limita a socos no ar. A dicção é monótona. Enfim, falta substância e convicção, sobra cinismo. Mas tudo se compensa com uma ideologia que aqui sim, com maestria, não se mostra de todo, mas em soluços, o que exige paciência para decifrá-la.
A incontida alegria com que Flavio analisou os dados jogados por Mendonca, dados que o levavam para os píncaros das pesquisas, talvez tenha sido o gatilho de sua evidente capacidade de falar mais claro e nítido.
E há um momento em que seu discurso se torna transparente , como transparente era a exibição indecorosa de um gigantesco Trump carregando nas mãos um Lula engaiolado . Mas, a grande revelação viria do pódio, numa frase de uma clareza ideológica cristalina:
“Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes, aquela laranja podre não pode contaminar toda a Corte. Eu vou indicar cinco ministros para o STF porque Alexandre de Moraes vai cair cair e eu vou indicar homens e mulheres que sejam contra o aborto, contra as drogas, contra a ideologia de gênero nas escolas e que ajudem a resgatar a credibilidade do Supremo”
Com esta frase, Flavio escancara sua aderência total não só a Trump mas ao Maga e sua filosofa de liderança familiar, massas religiosas, inimigos culturais, redes digitais. Indica igualmente que o critério de seu governo para indicar membros do Supremo não será mais o notável saber jurídico mas remover o inimigo, indultar o pai e reconstruir o Tribunal.
A partir daí o direito civil, penal e até o Constitucional no Brasil passa a adquirir a mesma instabilidade que estamos a ver nos Estados Unidos de Trump, com as consequências que quase tivemos fosse bem-sucedido o golpe de oito de janeiro.
Portanto se impõe ao eleitor brasileiro uma dicotomia que não poderia ser mais clara. De um lado, a eleição de um Presidente que , apesar de toda a adversidade que enfrentou com o Congresso Nacional, apesar de todo o descalabro financeiro que recebeu do Posto Ipiranga, saneou o orçamento nacional - ainda que lutando contra a herança maldita das emendas parlamentares que tornou o Brasil quase ingovernável. E aqui quero sublinhar que a eventual vitória de Tarcisio em São Paulo diante de Haddad é mais um exercício de teratologia política, principalmente depois que Tarcisio dançou com Milei o tango “Por una cabeça” em Praça Pública.
E a dicotomia se aprofunda ainda mais quando se coteja o projeto do Presidente para os próximos 4 anos, onde se defende a soberania brasileira e o desenvolvimento tecnológico do país.
Lamentável será igual e primordialmente ver as mulheres brasileiras ameaçadas de perderem os direitos que adquiriram depois de anos de lutas e agora terem de se curvarem ao machismo antropofágico que delas dispõem como se fossem animais de reprodução e corte. A proposta de combinar religiões fundamentalistas com liberdade da mulher é o maior risco deste século para as mulheres que pretendem assumir as rédeas de suas vidas. Às interessadas, recomendo assistirem na televisão a cabo a série “O conto da Aia”. Indispensável.
Espero com tranquilidade que o pleno do Supremo Tribunal Federal, mais cedo que tarde, exponha ao sol as tramas ou tramoias que em nome da justiça ali se cometeram.
O povo não merece menos que uma explicação correta, sem zizezagues jurídicos ou simplesmente mentiras . Diante do que se condensa a cada dia em nuvens tenebrosas, só os loucos ou golpistas podem dormir em paz.
E reconheçamos todos: desde o primeiro dia que se anunciou que se iria governar este país com a tríade Deus- Pátria - Família baixou um inferno em nossas vidas. Talvez porque o principal mandamento que devemos seguir é:
NÃO TOMAR O NOME DE DEUS EM VÃO.