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Como Trump já fraudou as eleições nos EUA

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Por LUIZ CARLOS AZENHA

Publicado em 11/05/2026 às 07:44

Alterado em 11/05/2026 às 07:44

Donald Trump Foto: Ansa/AFP

É, na prática, um “furto” de votos. O nome oficial é gerrymandering, o ato de redesenhar distritos com o objetivo de garantir vitória eleitoral.

Nos EUA, que tem voto distrital, cada um dos 435 distritos escolhe seu representante no que equivale à Câmara, que é renovada de dois em dois anos.

No dia 3 de novembro, além da Câmara, estarão em jogo 100 assentos no Senado e os governos estaduais.

Donald Trump corre grande risco de perder a maioria que permite a ele governar sem prestar contas ao Congresso.

Mas, os republicanos estão muito ocupados redesenhando distritos, de maneira a garantir sua maioria.

Um exemplo recente vem do Tennessee. Em Memphis, tradicionalmente, o Nono Distrito elegia um democrata, por ser de maioria negra.

Republicanos locais, que comandam o governo, redesenharam as fronteiras para diluir o voto negro. Na prática, isso representa vitória quase certa nos três distritos da cidade, dando ao partido uma cadeira a mais na Câmara.

A Suprema Corte do Estado, controlada por conservadores, autorizou a mudança por 6 a 3, levando democratas locais a organizarem manifestações públicas.

Reprise
Na Louisiana, o governador republicano Jeff Landry suspendeu uma eleição primária com o objetivo de dar tempo a seus aliados de eliminar um distrito onde a maioria dos eleitores é negra.

No dia 29 de abril, a Suprema Corte dos Estados Unidos, por 6 a 3, decidiu que o fator racial não deve ser utilizado para garantir o direito de minorias. Na prática, abriu caminho para o redesenho dos distritos pelos partidos que estão no poder local.

Donald Trump indicou três dos juízes que votaram a favor da medida na Corte.

A derrota dos democratas foi turbinada pela decisão da Suprema Corte da Virgínia de cancelar uma eleição realizada em 12 de abril pela qual eleitores aprovaram um redesenho que favorecia o partido.

Batalhas legais devem ser travadas em vários estados antes das eleições.

Na contagem atual, o redesenho dará 14 novos distritos aos republicanos e seis aos democratas, ou seja, um ganho em potencial de oito cadeiras na Câmara.

Atualmente, a maioria republicana é de 217 a 212.

Manobra com apoio da Justiça
Os republicanos da Carolina do Sul estão se movendo para redesenhar o distrito que elegeu o democrata James Clyburn.

Em 2 de janeiro de 2021, depois de perder a eleição, Donald Trump foi gravado pedindo votos ao secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger: “Me arranja 11.780 votos”.

Era a diferença de que Trump precisava para ter chances de se reeleger.

Entre março e dezembro de 2024, Trump colocou a nora Lara para ser co-líder do Partido Republicano. Ela trabalhou para alinhar o partido aos objetivos do MAGA.

Hoje, o ocupante da Casa Branca tem completo domínio sobre o partido, especialmente sobre o financiamento das campanhas.

Com baixa popularidade, recorreu à tática de redesenhar distritos. Com isso, os democratas precisarão de uma vitória eleitoral muito mais robusta para reconquistar o controle da Câmara.

Este artigo foi publicado originalmente na Revista Fórum.

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