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A quem interessa a desmoralização do ministro Moraes

Os ataques contra o Ministro Alexandre de Moraes miram o fortalecimento da candidatura do filho do fascista e um eventual enfraquecimento do presidente Lula

Por JORGE FOLENA

Publicado em 07/03/2026 às 08:36

Alterado em 07/03/2026 às 08:36

Ministro Alexandre de Moraes Foto: Folhapress / Caio Rocha

O fantasma do moralismo continua a rondar o Brasil. O mesmo moralismo hipócrita, empregado pela classe dominante para fazer prevalecer seus interesses entreguistas contra o desenvolvimento nacional, que atua ao longo de décadas para impedir a distribuição da riqueza para povo brasileiro; que já levou ao suicídio do presidente Getúlio Vargas; tentou impedir a posse de Jucelino Kubistchek; golpeou o presidente João Goulart e impôs uma sangrenta ditadura, que durou 21 anos; fez um impeachment sem comprovação de delito contra a presidenta Dilma Rousseff; e, percebendo que iria perder a corrida presidencial mais uma vez, prendeu sem provas o presidente Lula e, ao longo do processo, destruiu boa parte da engenharia e da infraestrutura industrial do Brasil, no bojo da lava-jato, que nós deveríamos renomear para operação lesa-pátria.

Na verdade, sempre empregam a mesma “técnica” moralista, por meio da disseminação de mentiras e de escândalos, amplificados pelos meios de comunicação social a serviço dos interesses dessa classe dominante.

O velho jornal O Globo, seguido de seus outros associados FSP e ESP, lidera a campanha de desgaste do Supremo Tribunal Federal, movida particularmente contra o ministro Alexandre de Moraes, que conduziu os processos criminais que levaram à cadeia os fascistas golpistas do 8 de janeiro.

É importante dizer que a classe dominante brasileira não tem em seus quadros nenhum perfil que possa apresentar como opção eleitoral. Por isso, tudo o que podem fazer até o momento é apoiar o filho de um fascista condenado para a disputa presidencial deste ano, em seu esforço contra a reeleição do presidente Lula, que, em mais um mandato muito bem sucedido, demonstra sua imensa capacidade de tornar o Brasil um país soberano e desenvolvido, que possa finalmente distribuir com o povo a riqueza gerada pelo trabalho de todos. Mas isto é tudo o que a classe dominante, de origem escravagista e entreguista, não quer para o país.

Neste momento, os ataques contra o Ministro Alexandre de Moraes miram o fortalecimento da candidatura do filho do fascista e um eventual enfraquecimento do presidente Lula. Para alcançar esses objetivos, são utilizadas todas as manobras diversionistas possíveis visando tirar a atenção das muitas realizações do governo federal em apenas três anos de reconstrução do país, que tinha sido destruído durante a passagem dos fascistas neoliberais no governo brasileiro, entre 2019-2022.

É preciso deixar claro que o caso do Banco Master é um fenômeno da gestão Bolsonaro, que abriu as portas para todo tipo de clandestinidade. O descontrole por parte do Poder Público foi geral, pois deixou de haver qualquer tipo de regulamentação. Ou seja, as fraudes do Master e do INSS (desmantelado por Paulo Guedes e seu secretário da previdência, Rogério Marinho) são consequência do neoliberalismo implantado de forma selvagem entre 2019-2022, com a tal da “liberdade econômica”, em que os detentores do capital podiam fazer o que quisessem.

Os meios de comunicação escondem que o Banco Master e as fraudes do INSS são reflexos de um governo fascista neoliberal a serviço do imperialismo, do latifúndio e do crime organizado, que começou a ser enfrentado, com clareza, a partir da operação carbono oculto, conduzida pela Polícia Federal do governo Lula.

Com relação às acusações disseminadas contra o ministro Alexandre, entendemos que, até o momento, não é possível afirmar o cometimento de qualquer descuido ético e moral, sendo duvidoso ainda se ele teve, de fato, qualquer relacionamento ou contato com o acusado Vorcaro, inclusive pelo que consta nos relatos divulgados e amplificados.

O relatório da Polícia Federal, apresentado para pedir a prisão de Daniel Vorcaro, deixa evidente a existência de uma perigosa organização criminosa, com as tarefas de cada integrante bem delineadas, havendo, inclusive, emprego de violência e grave ameaça, conforme até aqui apresentado.

Uma das tarefas que cabia ao chefe da organização era manter contatos com autoridades na República, a fim de concretizar e proteger seus objetivos criminosos. Foi assim que, apresentando-se como banqueiro bem sucedido, Daniel Vorcaro se infiltrou no meio político e social, não sendo possível afirmar que todas as pessoas com quem ele manteve contato naquelas circunstâncias faziam parte do esquema, pois muitas delas não tinham como saber que aquele homem bem apessoado, elegante etc. era, na verdade, um criminoso.

Porém, o sensacionalismo está sendo utilizado para dizer que o ministro Alexandre esteve com o agora acusado Vorcaro, como se o fato de uma pessoa ter estado na presença de outra fosse suficiente para demonstrar a prática de qualquer ilícito.

O que o Globo faz agora contra Moraes é o mesmo que fez no passado contra Getúlio, JK, Goulart, Dilma e Lula, com o objetivo de instalar a desordem institucional e para favorecer os interesses políticos de quem os remunera regiamente para seguirem atuando como porta-vozes dos interesses contrários ao país.

Esperamos, então, que o Brasil não se deixe arrastar mais uma vez para a histeria falso-moralista, que intenta abrir caminho para mais um fascista neoliberal chegar à chefia do governo, para retomar a destruição do país, como assistimos entre 2019-2022 e como está em curso na Argentina nos dias atuais.

Que o povo brasileiro não se deixe enganar pelas versões apresentadas pela mídia hegemônica e seja capaz de discernir entre a falsificação e a imposição da realidade. Cada vez que a mídia corporativa tentar negar ou apagar as tremendas conquistas sociais e melhorias na qualidade de vida do povo, de 2023 para cá, lembrem-se da fila do osso, dos famintos remexendo as caçambas de lixo em busca de comida e dos que morreram na pandemia da covid-19 pela irresponsabilidade e cobiça do desgoverno fascista.

Mas, acima de tudo, tenha em mente que toda tentativa de retirar a soberania de um país e roubar seus recursos naturais tem como objetivo a manutenção do povo na miséria, uma estratégia que facilita todo tipo de abuso e exploração de nossas crianças e mulheres.


Jorge Folena é advogado, jurista e doutor em ciência política. Este artigo foi originalmente publicado pelo portal Brasil 247. Artigos de opinião nem sempre refletem a opinião da Redação do JORNAL DO BRASIL. 

 

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