ARTIGOS
2024: um ano promissor
Por ADHEMAR BAHADIAN
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Publicado em 10/09/2023 às 08:23
Em 2024, em novembro mais precisamente, se reunirá, no Rio de Janeiro, o G-20, grupo das vinte maiores economias do mundo. Antes, no dia 5 do mesmo mês, os Estados Unidos irão às urnas para escolher um novo presidente. Lá, o embate terá repercussões internacionais, a primeira delas sobre a própria reunião do G-20.
Se os demônios apocalípticos estiverem de plantão, o G-20 será torpedeado pela eleição de Donald Trump. Mas, me recuso a conviver com esta hipótese regressiva e vejo na mais do que possível reeleição de Biden o sinal de uma aliança benéfica entre o Brasil e as maiores economias do mundo.
Lula, que acaba de receber das mãos da Índia, e em nome do Brasil, a presidência do G-20, é o primeiro a saber da importância da reunião em novembro no Rio de Janeiro. Nós, os cariocas, deveremos ser os primeiros a agradecer ao presidente a escolha da cidade maravilhosa para sediar um evento político que sem dúvida poderá mudar para melhor o eixo das relações internacionais.
Sei também que tanto Mauro Vieira quanto Celso Amorim, sobre cujos ombros repousará o trabalho preparatório da reunião, cogitam, com a competência dos melhores servidores públicos federais, criar inúmeros grupos de trabalho temáticos dentre os quais as questões das mudanças climáticas e da preservação da Amazônia, sem dúvida, necessitarão de atenção e especial cuidado.
A declaração de Lula na Índia ao receber a Presidência do G-20, já assinala a profundidade que o Brasil pretende dar ao encontro de novembro ao afirmar que a desigualdade é o principal problema a nos separar e poderá continuar a crescer. Ao defender a criação de inúmeros bancos de desenvolvimento para recompor o crescimento econômico, Lula já diz a que vem e o que pretende propor em nome do Brasil..
Aqui, abuso de minha velha amizade com Mauro Vieira e com Celso Amorim para sugerir algumas ideias e tópicos talvez repetitivos, mas que faço no melhor espírito de cooperação.
A primeira delas tem que ver com a própria mensagem da Declaração Final da reunião. Creio que sem necessariamente mencionar Reagan e Thatcher seria importante assinalar os exageros trazidos por uma globalização assimétrica e uma condenação do papel do Estado, do investimento público associado a uma desregulamentação perniciosa dos mecanismos protetores de concentração abusiva do capital transnacional.
A politica econômica de Biden já atua nesta área com resultados animadores, embora certamente não contará com o apoio de Trump, candidato que por um lado da boca parece defender os despossuídos e do outro mastiga as benesses que lhe trazem os mega-capitalistas americanos.
A Declaração do Rio de Janeiro poderia sublinhar equívocos da cooperação internacional e sugerir novas formas de aperfeiçoá-la. Dentre tantas áreas, me permito assinalar que o tema da transferência de tecnologia seria talvez a que mereceria inclusive um seminário próprio em meados de 2024.(no BNDES?) Sugiro que deste seminário, que deveria contar coma a participação dos economistas Acemoglu e Stiglitz ambos com sugestões claras e conhecidas sobre a importância do tema, (inclusive inteligência artificial) deveria surgir um “registro de posição" sobre a temática da transferência de tecnologia, sobretudo na área de saúde.
Aviso aos apressadinhos que não estou a sugerir uma revolução radical na questão da Propriedade Intelectual, mas apenas que se examinem as ideias de Stiglitz e Acemoglu sobre o tema. Afinal, não há hoje dúvidas, trazidas inclusive pela Pandemia do COVID, que a globalização na área sanitária e médica foi um fracasso total.
E isso me leva à sugestão final: que a Declaração do Rio (Uma Visão do Corcovado?) proponha uma meta de cooperação sistêmica entre centros de tecnologia médica e universidades dos países do mundo no intuito de desenvolver medicamentos, testes e equipamentos médicos para o pronto diagnóstico e tratamento de doenças tropicas, sob a possível coordenação da Fiocruz.
Apresento, desde logo, minhas escusas aos meus jovens colegas diplomatas, que, por acaso, recebam o encargo de, a pedido de seus chefes, tenham que desenvolver os prós e os contras das ideias aqui sugeridas. Contem com mais do que simples solidariedade.
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EM TEMPO: Merece leitura e reflexão o artigo “ A Fome do Carcará” de Marcos Nobre - um dos nosso melhores analistas políticos - no número de setembro na revista Piauí.
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*Embaixador aposentado