MEIO AMBIENTE
Exploração madeireira no Pará cresce 40% e chega ao maior nível desde 2019
Por JB AMBIENTAL
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Publicado em 05/11/2026 às 08:22
Alterado em 05/11/2026 às 08:22
As terras indígenas responderam por apenas 2% de toda a atividade sem autorização detectada no estado Foto: Ansa
O Pará registrou 60.664 hectares de exploração madeireira entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo dados divulgados pela Rede Simex. É a maior área identificada desde o ciclo 2019-2020 e representa um aumento superior a 40% em relação ao período anterior.
O levantamento foi feito a partir do cruzamento entre imagens de satélite e autorizações oficiais para a atividade. Do total mapeado, 41.538 hectares, ou 68%, estavam em áreas autorizadas, enquanto 19.126 hectares, equivalentes a 32%, foram explorados de forma ilegal.
Avanço da atividade regular, mas pressão continua
Os pesquisadores destacam que a exploração autorizada cresceu mais de 83% no período, enquanto a extração sem licença caiu cerca de 6%. Ainda assim, o volume irregular continua alto e preocupa pelo impacto direto sobre a floresta e pela circulação de madeira sem garantia de origem.
Para a pesquisadora Camila Damasceno, do Imazon, a redução da ilegalidade é positiva, mas insuficiente. Ela defende o fortalecimento da fiscalização, o combate aos infratores e a criação de mecanismos de incentivo ao manejo florestal, especialmente o comunitário.
Impacto ambiental e prejuízo ao setor
Segundo Carlos Souza Jr., coordenador do programa de monitoramento da Amazônia do Imazon, a área ilegal equivale à derrubada de dezenas de milhares de árvores, considerando um cenário conservador de duas a três árvores por hectare. Isso significa madeira entrando no mercado sem plano de manejo, vistoria ou rastreabilidade.
Ele afirma que essa prática enfraquece os esforços de transparência e prejudica também quem opera dentro da legalidade. Com isso, o setor florestal regularizado enfrenta concorrência desleal e perda de credibilidade diante do mercado.
Terra Indígena Amanayé concentra ilegalidade
As terras indígenas responderam por apenas 2% de toda a atividade sem autorização detectada no estado, mas o dado não elimina a gravidade do problema. Foram 424 hectares de extração ilegal nessas áreas, o segundo menor volume da série histórica, atrás apenas de 2019-2020.
De acordo com o levantamento, toda a ilegalidade identificada em terras indígenas ficou concentrada na Terra Indígena Amanayé, que aparece pela quinta vez consecutiva nos boletins da Rede Simex. Os especialistas alertam que a situação expõe comunidades a conflitos, ameaças e restrições ao uso de seu próprio território, além de afetar a saúde e os modos de vida tradicionais. (com informações de Camila Boehm, da Agência Brasil)