MEIO AMBIENTE

Brasil reduz emissões e chega ao menor nível desde 2012

Queda foi impulsionada pelo desmatamento, mas especialistas alertam que a redução precisa avançar em outros setores para sustentar as metas climáticas

Por JB AMBIENTAL
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Publicado em 21/10/2026 às 12:36

Alterado em 21/10/2026 às 12:36

. Agência Brasil

O Brasil emitiu 1,41 bilhão de toneladas líquidas de CO2 equivalente em 2025, uma redução de 9% em relação ao ano anterior. Com isso, o país chegou ao menor valor líquido desde 2012, segundo a 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa, divulgada pelo Observatório do Clima.

Quando consideradas apenas as emissões brutas, sem descontar a remoção de carbono pela vegetação secundária e pelas áreas protegidas, o total foi de 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente. O recuo foi de 6% frente a 2024, o menor volume bruto desde 2018.

Desmatamento segue como principal fator da queda

A maior contribuição para a redução veio do setor de mudança de uso da terra, diretamente ligado ao desmatamento. Em 2025, as emissões brutas desse setor somaram 814 MtCO2e, queda de 15% em relação a 2024. No cálculo líquido, a retração foi ainda maior, de 48%, passando de 311 MtCO2e para 162 MtCO2e, o menor valor da série histórica do Seeg.

De acordo com o coordenador do Seeg, David Tsai, os números mostram que o Brasil cortou em um quarto suas emissões brutas nos últimos quatro anos. Para ele, o desempenho é significativo diante do aumento acumulado registrado nos 13 anos anteriores à política climática nacional.

Outros setores pouco mudaram no período

Fora o uso da terra, os demais setores registraram variações modestas. A agropecuária teve leve queda de 0,1% e respondeu por 626 MtCO2e. O setor de energia cresceu 1,2%, chegando a 427 MtCO2e, enquanto processos industriais e uso de produtos avançaram apenas 0,2%, para 94 MtCO2e.

O setor de resíduos foi o que mais subiu entre 2024 e 2025, com alta de 3,6%, passando de 92 MtCO2e para 96 MtCO2e. Em 2025, a mudança de uso da terra respondeu por 39% das emissões brutas do país, enquanto a agropecuária foi responsável por 30% adicionais nas emissões diretas, o que a mantém como maior emissora nacional quando se somam impactos diretos e indiretos.

Brasil fica perto da meta climática de 2025

Com a redução registrada, o país ficou a apenas 85 milhões de toneladas de cumprir a meta climática prevista para 2025 em sua primeira NDC. O objetivo era limitar as emissões líquidas a 1,32 bilhão de toneladas de CO2 equivalente, patamar que deve ser alcançado ainda este ano, segundo projeções do Observatório do Clima.

Os dados prévios divulgados pela entidade também apontam para uma emissão líquida negativa por desmatamento em 2025, estimada em menos 24 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Para 2030, a segunda NDC brasileira estabelece uma faixa entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2e, o que amplia o desafio de reduzir emissões em todos os setores da economia.

Apesar da melhora, especialistas alertam que a queda do desmatamento, sozinha, não será suficiente para garantir o cumprimento das próximas metas. A tendência agora depende de cortes mais consistentes em energia, agropecuária, indústria e resíduos. (com informações da Agência Brasil)