MEIO AMBIENTE

Congresso de 2027 terá maioria distante da agenda ambiental

Levantamento indica que a nova legislatura começa com forte resistência às pautas de clima e meio ambiente

Por JB AMBIENTAL
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Publicado em 07/10/2026 às 12:38

Alterado em 07/10/2026 às 12:38

Vista aérea da floresta amazônica Agência Brasil

A nova legislatura do Congresso Nacional, que toma posse em 2027, deve iniciar os trabalhos com maioria pouco alinhada à agenda de clima e meio ambiente. A conclusão é de uma análise do Observatório do Clima baseada no índice de convergência ambiental, que mede votos e atuação dos parlamentares em relação às políticas socioambientais.

Segundo o levantamento, sete em cada dez senadores e deputados federais estarão nas faixas baixa ou muito baixa de alinhamento. No conjunto das duas Casas, 68,9% dos congressistas foram classificados nessas categorias, enquanto 31,1% aparecem nas faixas boa ou muito boa.

Senado registra o pior cenário de alinhamento

Entre os 81 senadores da próxima legislatura, 64 foram enquadrados nas faixas baixo ou muito baixo, o que representa 79% da Casa. Apenas 17 senadores, ou 21%, ficaram nas faixas com maior convergência com a pauta ambiental.

Na comparação com a legislatura atual, o distanciamento aumentou. O número de senadores com alinhamento baixo ou muito baixo subiu de 58 para 64, reforçando a avaliação de que o Senado tende a ser um espaço ainda mais difícil para avanços em conservação, enfrentamento das mudanças climáticas e adaptação das cidades.

Câmara também terá maioria resistente às pautas socioambientais

Na Câmara dos Deputados, 345 dos 513 parlamentares, ou 67,3%, ficaram nas faixas baixa ou muito baixa. Outros 40 deputados e deputadas foram classificados na faixa boa, e 128 na faixa muito boa, segundo a metodologia usada na análise.

O Observatório do Clima aponta que a piora está relacionada ao crescimento de partidos de extrema direita, historicamente menos alinhados à agenda ambiental. O PL, por exemplo, ampliou sua presença nas duas Casas e passou a concentrar ainda mais cadeiras na próxima legislatura.

Risco de retrocessos preocupa especialistas

Para a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, o cenário impõe quatro anos de forte pressão para quem atua na área ambiental. Ela alerta para riscos de enfraquecimento da fiscalização, anistia a grileiros e redução da proteção de florestas e biomas brasileiros.

O estudo também utilizou fontes oficiais da Câmara, do Senado, de assembleias legislativas e de governos para classificar parlamentares eleitos que ainda não tinham avaliação no índice. A metodologia do Instituto Democracia e Sustentabilidade divide o alinhamento em quatro faixas: muito baixa, baixa, boa e muito boa, de acordo com o percentual de convergência com a agenda climática e socioambiental. (com informações da Agência Brasil)