MEIO AMBIENTE
Desertificação no Brasil ameaça água, alimento e clima
Por JB AMBIENTAL
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Publicado em 15/08/2026 às 12:37
Alterado em 15/08/2026 às 12:37
Dados recentes mostram que 18% do território brasileiro estão em áreas suscetíveis à desertificação Agência Brasil
Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em locais ameaçados pela desertificação, fenômeno que vai além da imagem de um deserto tradicional. Trata-se de um processo de degradação ambiental em que terras antes produtivas perdem a capacidade de reter água, sustentar vegetação e manter a vida, em geral por ação humana, como desmatamento e agricultura inadequada, além de variações climáticas.
Dados recentes mostram que 18% do território brasileiro estão em áreas suscetíveis à desertificação. Entre 2000 e 2020, a área afetada passou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de km², com impacto concentrado no Nordeste, mas também presente em áreas de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
Impactos sobre pessoas e economia
O problema atinge de forma mais dura populações vulneráveis e comunidades tradicionais, como sertanejos, agricultores familiares, indígenas, quilombolas, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros. Essas famílias costumam sentir primeiro os efeitos da perda de água, da queda da biodiversidade e da redução da produção local.
Especialistas alertam que os efeitos da desertificação não ficam restritos ao campo. O avanço da degradação interfere na produção de alimentos, na segurança hídrica, na economia e até na sensação térmica, ampliando os impactos também nas cidades brasileiras.
Caatinga no centro da discussão
Entre os biomas brasileiros, a Caatinga concentra os níveis mais graves de deterioração do solo. Segundo pesquisadores, 11% do bioma está em situação crítica ou severa, o que representa cerca de 100 mil km², e 42,6% de sua vegetação nativa já foi suprimida. Ainda assim, estudos indicam que a Caatinga tem papel relevante na captura e no armazenamento de carbono.
Levantamentos recentes mostram que o bioma responde por uma fatia expressiva do sequestro líquido de carbono do país, com grande parte desse carbono guardada no solo. Para pesquisadores, isso reforça a importância de proteger a Caatinga como aliada no combate ao aquecimento global e no equilíbrio climático do Brasil.
Políticas públicas e soluções práticas
O país é signatário da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação desde 1997 e passou a reforçar sua estratégia com o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. O programa articula áreas como meio ambiente, saúde, educação, infraestrutura, inclusão produtiva e acesso à água.
Outra iniciativa é o Programa Recaatingar, voltado à recuperação produtiva de milhões de hectares degradados ao longo das próximas décadas. A proposta combina restauração do solo, segurança hídrica, adaptação climática e conhecimento tradicional das comunidades locais, com foco em trabalho, renda e conservação ambiental.
Tecnologias sociais e convivência com o Semiárido
Organizações da sociedade civil, como a ASA, atuam há décadas com tecnologias sociais para enfrentar a seca, incluindo cisternas, pequenas barragens, manejo agroecológico e fortalecimento de sementes adaptadas ao clima da Caatinga. Essas experiências ajudam a garantir água para consumo, produção de alimentos e criação animal.
Pesquisadores destacam que a recuperação da terra não depende de soluções isoladas, mas da presença das pessoas no território e do uso de práticas sustentáveis. A ideia central é preservar a biodiversidade, fortalecer a agricultura familiar e transformar áreas degradadas em territórios vivos, capazes de resistir aos efeitos da crise climática. (com informações de Rafael Cardoso, Agência Brasil)