MEIO AMBIENTE
Julho tem recordes de calor nos oceanos e alerta para efeitos climáticos
Por JB AMBIENTAL
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Publicado em 10/08/2026 às 09:17
Alterado em 10/08/2026 às 09:17
A média dos oceanos extrapolares chegou a 20,96°C, acima do recorde anterior, de 20,89°C, observado em 2023 Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A temperatura média da superfície do mar em julho atingiu o maior nível já registrado em escala global, segundo o Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (C3S), observatório da União Europeia. A média dos oceanos extrapolares chegou a 20,96°C, acima do recorde anterior, de 20,89°C, observado em 2023.
De acordo com o boletim, o aquecimento esteve ligado, em parte, às temperaturas excepcionalmente altas no Pacífico tropical, onde se observam condições relacionadas ao fenômeno El Niño. A expectativa é de que esse quadro se fortaleça ainda mais nos próximos meses, ampliando os efeitos sobre o clima global.
Europa sob ondas de calor e seca
Na Europa, os recordes de temperatura no Atlântico e no Mediterrâneo ocidental foram associados a ondas de calor marinhas intensas, com impactos sobre ecossistemas e comunidades costeiras. A parte ocidental do continente viveu o período de junho e julho mais quente já registrado, com média de 21,62°C, bem acima da média histórica.
O cenário veio acompanhado de chuvas muito abaixo do esperado e umidade do solo excepcionalmente baixa em países como França, Espanha, parte da Alemanha e Reino Unido. Em várias áreas, os rios ficaram bem abaixo da média ou em níveis excepcionalmente baixos, afetando o abastecimento de água, a irrigação e a produção de energia.
Impactos nos rios, na água e na energia
O boletim do Copernicus aponta que a redução dos volumes de água teve reflexos diretos em sistemas importantes, como os rios Sena, Reno e Danúbio. A escassez hídrica dificulta o uso da água para consumo, agricultura e geração elétrica, ampliando os prejuízos em momentos de calor prolongado.
Segundo Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, sistemas de alta pressão persistentes concentraram calor sobre a Europa ocidental e intensificaram a seca. Com o solo mais seco, a capacidade natural de refrescar o ambiente diminui, o que reforça a permanência das temperaturas extremas.
Incêndios florestais e fumaça a longas distâncias
Em nível global, julho foi o segundo mais quente já registrado para a temperatura média do ar na superfície, com 16,90°C, igual ao valor de julho do ano passado e abaixo apenas do recorde de 2023. O índice ficou 1,47°C acima da média pré-industrial de 1850-1900, reforçando a tendência de aquecimento.
Laurence Rouil, do Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus, destacou ainda a atividade excepcional de incêndios florestais na Europa ocidental, com área queimada e emissões acima do normal. As condições climáticas favorecem incêndios maiores e mais intensos no sul da Europa, além de ampliar a fumaça para grandes distâncias, atingindo até países com poucos focos registrados. (com informações da agência Lusa)