JUSTIÇA
MPT recebe 1.937 denúncias de assédio eleitoral no trabalho
Por JB JURÍDICO
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Publicado em 27/10/2026 às 15:00
Alterado em 27/10/2026 às 15:00
Sede do MPT Foto: Ascom
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 1.937 denúncias de assédio eleitoral até a segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno das eleições. Desse total, 946 ocorreram entre os dois turnos, o que mostra a persistência de pressões políticas no ambiente de trabalho ao longo da campanha.
O assédio eleitoral acontece quando alguém usa posição de poder para influenciar, constranger ou pressionar trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posição política. Segundo o MPT, equipes de plantão atuaram em todo o país durante o período eleitoral para atender casos urgentes e garantir o direito ao voto livre.
Ações judiciais e acordos para coibir abusos
Ao longo do processo eleitoral, o órgão ajuizou 59 ações civis públicas contra práticas de assédio eleitoral. Dessas ações, 52 resultaram em liminares, decisões provisórias usadas para conter imediatamente as irregularidades e proteger os trabalhadores.
Além disso, foram assinados 53 termos de ajuste de conduta por empregadores que se comprometeram a não interferir na livre escolha de seus funcionários. As medidas fazem parte da estratégia de resposta rápida a denúncias que envolvem pressão sobre o eleitor no ambiente profissional.
Casos envolveram empresários e empresas em diferentes estados
Entre os episódios mais conhecidos do segundo turno está o do empresário Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás. Ele publicou um vídeo oferecendo viagem com despesas pagas para mil apoiadores do então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de que eles não fossem votar. A Justiça do Trabalho concedeu liminar para barrar a iniciativa, sob multa de R$ 100 mil por trabalhador encontrado na situação.
Na Bahia, a empresa Total Atacado foi alvo de liminar após denúncias de que funcionários em lojas de Salvador e Lauro de Freitas não haviam sido liberados para votar no primeiro turno. O caso reforça que impedir o deslocamento do empregado para exercer o voto também pode configurar violação grave.
Mensagens nas redes sociais ampliam preocupação
O tema também ganhou destaque após publicações de deputadas eleitas sugerirem demissões de trabalhadores por preferência política. No Rio de Janeiro, Índia Armaleu (PL) compartilhou mensagens incentivando empresários a demitir funcionários que demonstrassem apoio a Lula. Já no Paraná, Jéssica Ramos Moreno (PL) publicou conteúdo semelhante contra eleitores do PT.
Nesses casos, o empresariado que promove demissões por orientação política pode responder por discriminação nas relações de trabalho, prática proibida pela Constituição e pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). (reportagem ampliada com informações da Agência Brasil)