JUSTIÇA

Metadados de parecer sobre Garotinho levantam suspeita na Justiça Eleitoral

Documento anexado ao sistema aponta o advogado da defesa como autor, mas o vice-PGE diz ter produzido o texto em seu computador

Por JB JURÍDICO
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Publicado em 07/10/2026 às 07:06

Alterado em 07/10/2026 às 08:45

O ex-governador Garotinho Foto: TSE

O parecer do vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa, que endossou a desistência de Anthony Garotinho da disputa pelo governo do Rio de Janeiro, chamou atenção por um detalhe incomum: nos metadados do arquivo anexado ao sistema da Justiça Eleitoral, a autoria aparece associada ao advogado do próprio candidato.

Segundo os dados registrados no documento, o texto teria sido elaborado às 12h33 pelo advogado Marcello Dias de Paula, que atua na defesa de Garotinho. O parecer, porém, foi anexado por Espinosa ao sistema às 14h06, o que levou a questionamentos sobre possível falha técnica ou uso indevido de arquivo-base no processo.

Versões divergentes sobre a autoria

Procurado, o vice-PGE negou conhecer o advogado e afirmou que muito provavelmente se trata de um erro técnico do sistema da Justiça Eleitoral. Ele disse ainda que vinha trabalhando no parecer desde a semana anterior e que o documento foi elaborado em seu próprio computador.

Marcello Dias de Paula também negou ter escrito o texto. Segundo ele, o conteúdo vai na direção oposta ao que defendeu no processo, já que a Procuradoria Eleitoral busca manter Garotinho inelegível, enquanto a defesa sustenta que o ex-governador deveria continuar apto a concorrer.

Impacto na disputa pelo governo do Rio

A desistência de Garotinho ganhou peso político após o primeiro turno. Como o ex-governador obteve 3,17% dos votos, a exclusão desses números pode alterar a conta final e beneficiar Douglas Ruas (PL), que passou a ficar próximo da margem necessária para vencer a eleição ainda no primeiro turno.

Inicialmente, a expectativa era de que a retirada de Garotinho favorecesse Eduardo Paes (PSD), então líder nas pesquisas. Mas o resultado das urnas mudou o cenário e transferiu a vantagem para Ruas, tornando a eliminação dos votos do ex-governador decisiva na disputa.

Por que Garotinho foi barrado

O TRE-RJ indeferiu o registro de candidatura de Garotinho por causa de uma condenação por improbidade administrativa, que suspendeu seus direitos políticos por oito anos. O processo se refere a irregularidades na transferência de recursos da área da Saúde, ocorridas entre 2005 e 2006, quando ele ocupava a Secretaria de Estado de Governo no governo Rosinha Garotinho.

A principal divergência está no marco inicial da suspensão. A defesa afirma que o prazo começou em 2018 e já teria terminado antes da eleição, enquanto o TRE-RJ adotou como referência o trânsito em julgado da condenação, em 2025, o que manteria o ex-governador impedido de disputar eleições até 2033.

Posição do TSE sobre o caso

O Tribunal Superior Eleitoral informou que eventuais desvios ou fraudes, caso sejam questionados, serão analisados no julgamento. O caso segue cercado por disputa jurídica, com reflexos diretos tanto sobre a validade do parecer quanto sobre o desfecho da eleição no Rio de Janeiro. (com informações da Agência Estado)

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