PF aponta pagamentos a servidores do BC no governo Bolsonaro em caso ligado ao Banco Master
Relatório entregue ao STF detalha suspeitas de vazamento de informações e vantagens indevidas recebidas pelos investigados
A Polícia Federal afirmou em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão do Banco Central no governo Bolsonaro, teria recebido pagamentos recorrentes de R$ 500 mil para repassar informações sigilosas a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Em ao menos uma das mensagens citadas pela investigação, o valor teria chegado a R$ 760 mil.
Segundo o documento, o ex-servidor também teria sido beneficiado com almoço, jantar e guia em Paris, todos custeados por Vorcaro. A apuração foi tornada pública após o ministro André Mendonça levantar o sigilo do relatório na noite de quinta-feira (11).
Mensagens, reuniões e atuação como consultores
A PF também atribui vantagens indevidas a Paulo Sérgio Neves de Souza, gerente adjunto do Departamento de Supervisão do BC. No caso dele, o relatório menciona uma viagem à Disney, nos Estados Unidos, e a compra considerada atípica de um imóvel rural.
Os investigadores afirmam que os dois vazaram informações internas ligadas à Operação Compliance Zero, responsável por apurar fraudes financeiras bilionárias associadas ao Banco Master. O relatório diz ainda que Santana e Souza atuaram como consultores de Vorcaro, com alinhamento de estratégias, revisão de documentos e reuniões privadas, inclusive na residência do investigado.
O que diz o relatório da PF
O documento, com 164 páginas, reúne mensagens que a Polícia Federal atribui a trocas entre Vorcaro e os dois servidores. Em um dos trechos, Paulo Sérgio Souza encaminha ao ex-banqueiro a portaria de sua nomeação para o cargo no Departamento de Supervisão. Em outro, ele afirma que era prioridade absoluta se encontrar com Vorcaro para discutir interesses do Master.
A ligação entre os envolvidos já era conhecida desde a prisão preventiva do ex-banqueiro, mas a retirada do sigilo trouxe detalhes sobre a suposta remuneração e sobre os benefícios relatados na investigação.
Defesas negam irregularidades
Belline Santana e Paulo Sérgio Souza foram afastados de suas funções e negam ter repassado informações internas do Banco Central a Daniel Vorcaro. Ambos afirmam que podem comprovar que as despesas com viagens e outras vantagens foram pagas com recursos próprios.
A Agência Brasil informou que busca contato com as defesas para novo posicionamento. (matéria ampliada com informações da Agência Brasil)