JUSTIÇA

Especialistas veem risco eleitoral em impulsionamento pró-Flávio Bolsonaro com capital estrangeiro nas redes sociais

A Lei das Eleições restringe doações e impulsionamento por terceiros, e a origem dos recursos nas postagens não é identificada pela plataforma

Por JB JURÍDICO
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Publicado em 23/09/2026 às 12:39

Alterado em 23/09/2026 às 13:01

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Contas registradas fora do Brasil passaram a impulsionar publicações no X em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. As mensagens usam previsões da plataforma de apostas Polymarket para sustentar a tese de que o senador seria favorito na disputa eleitoral. A notícia foi publicada pelos repórteres José Augusto Limão e Álvaro Luiz no portal Metrópoles.

As publicações aparecem marcadas pela própria rede social como parceria paga, selo usado para indicar conteúdo patrocinado. Apesar disso, o X não informa quem financiou o impulsionamento, o que dificulta identificar a origem do aporte e a cadeia de responsabilidade pelo material divulgado.

O que diz a legislação eleitoral

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que o impulsionamento de conteúdo por terceiros, seja no Brasil ou no exterior, é proibido pela Lei nº 9.504/1997. Pela norma, esse tipo de publicidade deve ser contratado apenas por partidos, federações, coligações, candidatos ou representantes autorizados, com identificação clara do contratante.

Também há restrições a doações ou benefícios vindos do exterior, inclusive em forma de publicidade. Segundo o especialista Jorge Washington Cançado, a vedação recai sobre a origem dos recursos e, em caso de irregularidade comprovada, as sanções podem variar de multa até cassação de diploma, conforme a situação concreta.

Polymarket, direita e repercussão política

Segundo levantamento do site Factchequeado, a Polymarket tem usado posts pagos no X para transformar oscilações do mercado de apostas em espécie de termômetro político. Entre março e maio, o site identificou 13 publicações patrocinadas, sendo 11 com narrativas favoráveis a políticos de direita ou críticas à esquerda.

No caso brasileiro, uma das peças afirmava que Flávio Bolsonaro teria ultrapassado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na plataforma, sugerindo que o senador havia se tornado o favorito da corrida presidencial. Estratégia semelhante teria sido aplicada em conteúdos sobre candidatos da Colômbia e do Peru.

Reação entre aliados e bloqueio no Brasil

As postagens ganharam circulação entre perfis ligados ao bolsonarismo. Eduardo Bolsonaro republicou parte do conteúdo impulsionado, e nomes como Mário Frias, Lucas Pavanato e Allan dos Santos também compartilharam o material com a frase “vai ser no primeiro turno”, reforçando a narrativa de vitória já na etapa inicial da eleição.

Em abril de 2026, o governo brasileiro bloqueou o acesso a dezenas de sites de mercados de previsão, incluindo a Polymarket. A decisão foi tomada porque a empresa não possui autorização nem regulamentação para ofertar apostas envolvendo política e eleições no país. (com informações do portal Metrópoles)


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