JUSTIÇA

Investigação da PF menciona pagamentos e imóveis associados a Cláudio Castro

A polícia afirma que bens e despesas pessoais teriam sido bancados por empresas ligadas a um grupo investigado por fraudes no Rio

Por JB JURÍDICO
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Publicado em 03/09/2026 às 23:58

Alterado em 04/09/2026 às 14:52

Claudio Castro Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Polícia Federal apontou em relatório que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro teria recebido vantagens indevidas em troca da atuação de órgãos estaduais em favor da refinaria Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. As informações fazem parte da segunda fase da Operação Sem Refino, cujo sigilo foi retirado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O documento serviu de base para a autorização de 16 mandados de busca e apreensão, expedidos para aprofundar as apurações sobre supostas fraudes na concessão de licenças ambientais e sobre lavagem de capitais ligada ao esquema investigado.

Vantagens e suspeitas citadas no relatório

Segundo a PF, entre os benefícios indevidos estariam R$ 10,5 mil em caviar, o pagamento do aluguel da residência de Castro na Barra da Tijuca e o usufruto de uma mansão em Petrópolis, onde teria sido construída uma adega avaliada em R$ 245 mil. Os investigadores também mencionam a suspeita de que bens de luxo tenham sido registrados em nome de laranjas para ocultar patrimônio.

A apuração aponta ainda que o ex-governador teria favorecido os interesses do empresário Ricardo Magro, apontado como líder da organização criminosa. Magro foi preso preventivamente por decisão de Alexandre de Moraes, mas segue foragido e passou a integrar a difusão vermelha da Interpol.

Mensagens, contratos e possível favorecimento

De acordo com o relatório, mensagens extraídas de celulares apreendidos indicariam contato direto entre Castro e pessoas responsáveis por licenças ambientais, com o objetivo de acelerar a liberação de empreendimentos e prejudicar concorrentes ligados a Magro. A PF também relaciona o caso a contratos milionários e à atuação de empresários apontados como articuladores da lavagem de dinheiro.

Entre os exemplos citados está a degustaçao de caviares em hotel de luxo em São Paulo, cujo valor teria sido pago por uma empresa ligada ao advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, chamado de Pipo pelos investigadores. Outro ponto mencionado é a mansão em Petrópolis, atribuída a um contrato de locação, e o aluguel da cobertura na Barra da Tijuca, que, segundo a PF, estaria abaixo do valor de mercado.

Resposta da defesa de Cláudio Castro

Em nota, a defesa negou qualquer participação em esquema de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros. Os advogados afirmam que o imóvel onde o ex-governador reside tem contrato regular de locação, que a casa em Petrópolis também era alugada e que o episódio envolvendo o caviar ocorreu depois de ele deixar o governo.

A defesa sustenta ainda que os contatos com representantes da Refit foram institucionais e não geraram benefício à empresa. Também afirma que o Estado adotou medidas para cobrar valores devidos pela refinaria e pede que Cláudio Castro seja ouvido pela Polícia Federal para apresentar documentos e esclarecer os pontos levantados na investigação.