JUSTIÇA

Operador financeiro de Vorcaro, que tenta fechar delação, e que repassava dinheiro para o 'Dark Horse', fala em entrega de 'dinheiro vivo'

Empresário mostrou documentos a procuradores e disse que valores vieram do banco Master. Delação só pode ser feita com autorização de Mendonça

Por JB JURÍDICO
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Publicado em 03/09/2026 às 18:56

Alterado em 03/09/2026 às 18:56

Antônio Carlos Freixo Júnior Foto: divulgação

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, afirmou em delação premiada que os repasses feitos a um fundo no Texas saíram de recursos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo ele, os valores eram administrados em uma espécie de conta conjunta usada para pagamentos a pedido do banqueiro.

Freixo Júnior entregou aos investigadores documentos e comprovantes das operações de câmbio realizadas para enviar o dinheiro ao exterior. A colaboração pode ajudar a Polícia Federal a avançar na apuração sobre a origem e o destino dos recursos, incluindo suspeitas de evasão de divisas.

O caminho do dinheiro

De acordo com a apuração, os recursos deixavam o Brasil, passavam pelas Bahamas e chegavam ao Texas, nos Estados Unidos. Técnicos do Banco Central já haviam identificado um fluxo atípico envolvendo a Entrepay, empresa ligada ao conglomerado Entre Investimentos, antes de a instituição financeira ser liquidada pelo BC em março deste ano.

O depoimento também reforça suspeitas já mapeadas pelos órgãos de controle. A movimentação chamou atenção por envolver uma rota internacional incomum e por ocorrer em meio a transações atribuídas a ordens de Vorcaro, que teria usado Freixo Júnior como operador financeiro.

O delator citou também entrega de "dinheiro vivo", mas não disse ainda a quem.

Filme, mensagens e investigação

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e divulgadas em maio pelo Intercept Brasil mostram que Flávio Bolsonaro teria pedido, em 2025, o pagamento de US$ 24 milhões para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, Dark Horse. As conversas indicam que ao menos US$ 10,6 milhões chegaram a ser pagos, o equivalente a cerca de R$ 61 milhões na época.

Depois disso, Flávio indicou a conta do fundo Havengate, sediado no Texas e administrado por um advogado de Eduardo Bolsonaro, para receber os repasses. Nas mensagens, Vorcaro afirma que os pagamentos seriam feitos pela Entre, de Freixo Júnior, o que foi confirmado pelos comprovantes apresentados na delação.

Próximos passos no STF

A Polícia Federal já abriu inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, para apurar possíveis crimes relacionados aos pagamentos e verificar se os recursos também serviram para custear despesas da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O acordo de colaboração foi encaminhado ao gabinete do ministro na semana passada.

Agora, o STF deve marcar uma audiência para ouvir o colaborador e avaliar se houve espontaneidade no acordo. Caso a delação seja homologada, as informações prestadas poderão ser usadas formalmente como prova na investigação em andamento.

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