JUSTIÇA

Delegado afirma que prints de mensagens telefônicas revelaram farsa no caso Henry Borel

Edson Henrique Damasceno disse ao júri que mensagens de celular, laudos e outros indícios desmontaram a versão de acidente doméstico

Por JB JURÍDICO
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Publicado em 27/05/2026 às 06:27

Alterado em 27/05/2026 às 08:33

O menino Henry: brutalmente assassinado Reprodução do Instagram

O delegado Edson Henrique Damasceno afirmou ao Tribunal do Júri que os prints de mensagens do celular da babá foram decisivos para revelar o que chamou de “farsa” na morte de Henry Borel. Segundo ele, sem essas conversas, a versão apresentada no início da investigação poderia ter seguido como se o caso fosse um acidente doméstico.

Damasceno explicou que a apuração começou a partir dessa hipótese, mas mudou de rumo quando o laudo cadavérico apontou lesões graves e incompatíveis com uma queda da cama. Ele citou ferimentos no rim, pulmão, cabeça, fígado e manchas roxas pelo corpo, reforçando que o menino foi vítima de agressões que levaram à morte.

Mensagens, laudos e contradições

De acordo com o delegado, as mensagens recuperadas mostraram relatos anteriores de violência dentro da casa e contradisseram o que a babá havia dito em depoimento. Em uma das conversas, segundo ele, houve relato de que Henry ficou trancado com Jairinho, saiu mancando e reclamando de dor na cabeça. Outro ponto mencionado foi o fato de Monique ter demorado a voltar para casa, apesar do pedido da babá.

O delegado também afirmou que os diálogos demonstram que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho e que não havia uma relação de submissão total ao então vereador Jairinho. Ele disse ainda que familiares e pessoas próximas teriam sido orientados a mentir e que Monique teria pedido à babá para apagar mensagens do celular.

Pressão sobre hospital e investigação

Outro trecho do depoimento tratou da pressão para que o Hospital Barra D'Or atestasse a morte da criança sem que o corpo fosse encaminhado ao IML. Segundo Damasceno, essa tentativa poderia ter impedido a perícia oficial e dificultado a coleta de provas. Ele relatou que Jairinho insistiu por ligações e mensagens para acelerar o processo.

O delegado ainda mencionou que tomou conhecimento de outras denúncias envolvendo Jairinho, feitas por ex-companheiras, com relatos de agressões contra filhos. No plenário, a sessão também foi marcada pela renúncia de um dos advogados de defesa após o pedido de adiamento do julgamento ser negado pelo tribunal.

Como o caso chegou ao júri

De acordo com a denúncia, Henry Borel foi espancado até a morte na madrugada de 8 de março de 2021, enquanto Monique Medeiros teria se omitido. O Ministério Público afirma que o menino já havia sofrido outras agressões em fevereiro daquele ano, e o processo atribui a Jairinho crimes como homicídio qualificado, tortura, fraude processual e coação, entre outros. Monique responde por homicídio por omissão e outros delitos.

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