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Trump largou a mão: Sem endosso da Casa Branca, Flávio recua e agora se autodenomina 'líder do Brasil'

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Por POLÍTICA JB
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Publicado em 29/10/2026 às 06:02

Alterado em 29/10/2026 às 08:57

Flavio desembarcando em Miami Foto: AFP/Ansa

Sem o cobiçado apoio explícito de Donald Trump, atitude inesperada do chefe da Casa Branca, Flávio Bolsonaro (PL) recuou e divulgou uma nova versão de sua carta: de "presidente eleito", o delirante ex-candidato à Presidência, rapidamente se disse "líder do Brasil".

A mudança chegou em meio à postura do presidente dos Estados Unidos, de não endossar a estratégia do senador, que ainda não aceitou sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 25 de outubro.

"Eu não vou fazer comentários sobre isso, mas eu sei que demos uma autorização para ele vir para o país, então vamos ver. Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo", disse Trump a jornalistas nesta quarta-feira (28).

Ao todo, Flávio já divulgou três versões de sua carta. A primeira, revelada às 16h43, continha um brasão com o nome "Estados Unidos do Brazil", com "Z", que não é utilizado há quase 100 anos; 13 minutos depois, ele publicou outra carta com a denominação correta, "República Federativa do Brasil". Nessas duas versões, ele se autodenominava "presidente eleito".

Já na terceira, que chegou às 17h41, o senador se apresenta como "líder do Brasil". No documento, Flávio, que fugiu para os Estados Unidos via Argentina e Equador, agradece aos presidentes Trump e Javier Milei e, sem apresentar provas, denuncia alegadas fraudes nas eleições de 2026.

Segundo o candidato derrotado, a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação até as 19h "permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno". Ele não citou que seu partido também pediu a extensão do prazo.

Análises dos dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que somente pouco mais de 30 mil votos foram depositados nas urnas entre 17h e 19h.

Além disso, acusou a campanha petista de "abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição" e defendeu a cassação da chapa Lula-Alckmin.

Alvo de inquéritos no STF por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas em supostas negociatas envolvendo o advogado Willer Tomaz e o banqueiro Daniel Vorcaro, Flávio também afirmou sofrer "perseguição política".

"Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Existe uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Não vou submeter minha família a isso, e meu país não merece passar novamente por esse vexame internacional", escreveu.

Problema para Washington

A declaração de Flávio Bolsonaro representa um problema para Washington, que busca navegar por uma divisão com o maior país da América Latina, que abriga as segundas maiores reservas de terras raras do mundo.

Lula acusou Washington de conspirar com a família Bolsonaro para ajudá-los a retornar ao poder. Antes da eleição de domingo, a Reuters informou sobre uma campanha do Departamento de Estado dos EUA para restaurar os Bolsonaros ao cargo. Washington nega interferir nos assuntos internos do Brasil. (reportagem ampliada com informações das agências Ansa e Reuters)

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